SINDICALISTAS FALAM DE DIREITOS ÀS MULHERES EM RUAS DE JUNDIAÍ E CONVIDAM GRÁFICAS PARA O BINGO NO DIA 20

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Embora se diga por ai que a mulher é o sexo frágil, essa premissa não se aplica em vários campos da vida das trabalhadoras, principalmente quando elas sabem de seus direitos e buscam garanti-los. Histórias de lutas de trabalhadoras gráficas da região de Jundiaí, junto com o sindicato, deixa isso claro, seja em defesa de seus direitos e salários, ou pelo respeito e dignidade da mulher contra assédios e a negação de leis. Nos últimos anos, acumulam experiências de mulheres que, sejam de forma solitária ou unificada e organizada dentro das gráficas, ou no campo jurídico, garantiram direitos antes negados. Dentre eles, a reintegração da gráfica gestante ao emprego, a garantia do direito à amamentação do filho até 180 dias, a demissão de chefes assediadores, bem como o retorno da trabalhadora ao setor de trabalho e mais R$ 5 mil por danos morais, após sua luta contra a transferência arbitrária e ilegal, além das diversas batalhas contra as mais variadas formas de assédio moral e abuso de autoridade no local de trabalho.  Neste sentido, a fim de buscar conscientizar mais mulheres sobre seus direitos e assim seu maior empoderamento para garantir sua valorização, as dirigentes do Sindicato dos Gráficos (Sindgráficos) se somaram a sindicalistas de outras categorias na Região, ligadas à Central Única dos Trabalhadores, para conversar ontem (8) com mulheres sobre este tema nas ruas de Jundiaí durante o Dia Internacional da Mulher. Antes disso, a diretora do Sindigraficos, Valéria Simionatto, que coordena do Comitê Feminino da categoria, estive nas gráficas Jandaia e Gonçalves, conversando com as profissionais e as convidando para o Bingo das Trabalhadoras Gráficas, que será realizado no próximo dia 20, na Associação dos Aposentados de Jundiaí. O evento é direcionado para todas trabalhadoras sindicalizadas.  

bingo0Este ano será a 8ª edição do Bingo das Profissionais Gráficas da região de Jundiaí. O evento é organizado pelo Comitê Feminino da categoria – fundado há três anos pelo Sindigraficos, a partir do desejo das mulheres sindicalistas da entidade e das trabalhadoras da base. Além de prêmios, lazer com muita comida, bebida, música e dança, aliada a uma programação para as crianças, as participantes terão palestras sobre problemas da discriminação e assédios nas relações de trabalho, bem como os retrocessos e desafios das trabalhadoras gráficas este ano.

valeria4As palestras serão realizadas por mulheres de destaque em seus setores de atuação em SP e no país. A primeira é a advogada Carmen Dora, presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Estado de São Paulo; A segunda é a vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Pernambuco, Lidiane Araújo, que integra o Comitê das Mulheres Gráficas do Brasil, além de coordenar o Comitê Feminino das Profissionais Gráficas pernambucanas.

valeria1“É preciso comemorar o Dia Internacional das Mulheres, mas é fundamental refletir e debater para encontrar e definir ações de combate às injustiças no setor gráfico contra as trabalhadoras”, pontua Valéria. A dirigente, que labora na Log&Print, frisa que não basta apenas reclamar da falta de oportunidades das mulheres em funções e em cargos de destaque dentro do segmento gráfico, mas é indispensável identificar as particularidades e propor soluções para esta questão.

bingo5“É igualmente necessário e urgente reunir as trabalhadoras em torno do Comitê Feminino do Sindicato para, juntas, monitorarmos e planejarmos as principais ações sindicais ao combate sistemático do assédio moral e sexual”, diz Regina Aparecida, diretor do Sindigráficos e trabalhadora da empresa Jandaia. Ela acrescenta também a necessidade de iniciativas para combater o significativo número de doenças laborais associadas ao trabalho das funcionárias, a exemplo da LER/Dort, que costuma ser silenciado dentro das empresas, precarizando bastante a vida profissional e sobretudo pessoal das mulheres gráficas.

bingo7“Muitas serão as demandas contra a discriminação e preconceito contra as trabalhadoras dentro das gráficas, até porque se trata de questões culturais ligadas ao machismo e a mentalidade escravagista de parte dos empresários”, diz Cidinha Reis, diretora do Sindicato e trabalhadora gráfica na Nova Página. Todavia, a sindicalistas acentua que ela e as demais sindicalistas integrantes do Comitê Feminino estão com muita vontade de atuar junto com as trabalhadoras da base para defesa amplamente todas as trabalhadoras do setor gráfico na Região de Jundiaí.