SINDICALISTAS GRÁFICAS CRITICAM ATAQUE ÀS MULHERES COM APROVAÇÃO DA PEC 241 CRIADA PELO MICHEL TEMER

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Os investimentos públicos no Brasil em Educação, Saúde, Segurança e outras políticas públicas básicas estarão congelados por 20 anos graças ao desejo do presidente Temer que encaminhou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241 de teto dos gastos. A PEC foi aprovada pelos deputados federais nesta terça-feira (25). Foi o 2º turno. Segue para aval do Senado. Se avançar, vira lei e os efeitos serão nocivos para toda classe trabalhadora com efeitos mais penosos sobre as mulheres que já sofrem com os problemas socioeconômicos e culturais por ser mulher no país machista e preconceituoso, que já pena com duplas/triplas jornadas de trabalho, discriminações e a violência sexual. O Comitê Feminino do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Gráfica de Jundiaí e Região (Sindigráficos) aponta graves prejuízos no cotidiano da mulher e alertar para a necessidade da mobilização popular contra as violências que ocorrerão com os efeitos deste congelamento. 

2Sem reação da classe trabalhadora, o Senado deve aprovar esta PEC. O problema é que ainda há muita gente que acredita que congelar será bom para o Brasil. “O país é feito de sua população e a maioria é pobre ou ganha pouco para gastar com saúde e educação privada, como tem feito os ricos. Portanto, se cortar gastos em saúde e educação pública, atingirá bastante só os pobres”, repudia Valeria Siomionatto, dirigente do Sindigráficos e coordenadora do Comitê Feminino da categoria gráfica. O congelamento terá efeito até sobre o salário dos empregados, visto que o salário mínimo será congelado e trará efeitos para quem ganhar acima dele, a exemplo dos gráficos. Uma pesquisa mostra que se a lei do teto do gasto já estivesse em vigor há 20 anos, o salário mínimo seria R$ 400.

3O efeito do congelamento sobre a saúde pública trará também um grande mal. As mulheres sentirão muito mais. Isso porque são elas que cuidam da saúde dos filhos e costumam ir mais aos médicos do que os homens. “Ao reduzir o financiamento em saúde, reduz o número de funcionários, de consultas, de remédios e todo o resto. Com isso, reduz até mesmo o pré-natal da mãe grávida, o atendimento ginecológico e especialidades pediátricas e da saúde da mulher”, critica Marcela Barbieri, assistente financeira do Sindigráficos. Ela lembra que se o atual cenário da saúde pública já apresenta dificuldades, pior ficará com a restrição de recursos, sem contar com o nascimento de pessoas nas próximas duas décadas.

22O problema da violência contra as mulheres diante da cultura machista e do estupro no Brasil tenderá a ampliar com o congelamento dos gastos em segurança pública. “Hoje já há poucas delegacias da mulher e faltam ações preventivas e de repressão policial para coibir os estupros e todas as violências domésticas, bem como faltam recurso para investir numa educação que estimula o respeito de gênero. Sem recursos, só piorará, inclusive aumentará o caos na educação pública de forma geral”, afirma Cidinha Reis, diretora sindical e integrante do Comitê Feminino da classe.

Câncer de Mama

4Impactos do congelamento poderão ser sentidos inclusive na prevenção contra o Câncer de Mama, uma vez que os hospitais públicos precisam priorizar este serviço. “As mulheres precisam fazer o exame chamado de Papa Nicolau para se prevenir da doença” alerta Regina Aparecida, dirigente sindical e integrante do Comitê Feminino do Sindigráficos. Ela aproveita para lembrar da atual Campanha do Outubro Rosa, a qual visa lembrar as mulheres para fazerem os exames e a autoanálise da mama. A sindicalista inclusive pede para que as empresas gráficas promovam palestras sobre o tema para alertar as trabalhadoras sobre esta questão.