SINDICATO FLAGRA GRÁFICOS CLANDESTINOS NA OCEANO E A EMPRESA PROMETE CONTRATO PARA EVITAR DENÚNCIA

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A contratação de trabalhadores sem registro profissional é uma prática ilegal no Brasil. E esta prática, que ameaça o emprego do funcionário com carteira assinada, bem como a vida do clandestino, já que recebe menos direitos e remuneração e não consegue se aposentar, mostra-se acontecer com frequência na gráfica Oceano, na cidade de Cajamar/SP. O fato foi comprovado nos últimos meses pelos dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Jundiaí e Região (Sindigráficos). A última vez foi no final do mês passado, mesmo depois da empresa ter se comprometido em não mais fazê-la. A nova constatação indignou os sindicalistas que anunciaram medidas para por fim a esta prática fora da lei. O Sindicato disse que denunciará ao Ministério Público do Trabalho, mas também informará sobre a irregularidade aos clientes da Oceano, incluindo o Governo Federal que encomenda livros didáticos. A intenção é mostrar aos clientes que a empresa não tem responsabilidade social. A fim de evitar a perda dos postos de trabalho dos gráficos registrados para os clandestinos, a realização de um movimento paredista também está na lista de ações. A Oceano pediu um novo voto de confiança ao sindicato e alegou falha em procedimentos internos no atual caso dos clandestinos. E garantiu ainda que, a partir de agora, quando houver serviços extras, selecionará apenas através de contratos específicos, baseados nas leis pertinentes.   

oceano4“Está é a última oportunidade”, disse Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, durante reunião com representantes da empresa ainda no fim do mês passado. O Sindicato deu mais uma chance à Oceano de cumprir com sua palavra, por conta das alegações feitas em relação a problemas internos de gestão da mão de obra, mas principalmente pela promessa de contratar novos trabalhadores para serviços extras através só de contratos legalizados, com direitos relativos. O dirigente antecipou que suspendeu as ações anunciadas, mas porá elas em prática, sem aviso, em caso de verificação de clandestinos. O sindicato ficará mais vigilante em relação a qualquer manutenção ou nova contratação de clandestinos. E lembrou que os trabalhadores, que não querem perder seus empregos para os clandestinos, serão os olhos dos sindicalistas.

oceano0O problema ocorreu depois que sindicalistas flagraram 15 trabalhadores sem registro, sendo 13 do sexo feminino, largando da Oceano. Esta era a segunda vez, em menos de dois meses, que os dirigentes constaram a situação irregular. O novo episódio revoltou os sindicalistas, haja vista que a empresa se comprometeu de não mais adotar esta prática quando foi flagrada da primeira vez. À época, o grupo de clandestinos rodavam encartes extras do Jornal Destak; Agora, outro grupo de empregados clandestinos trabalhavam em encartes de CDs. “Não acontecerá outra reunião com a empresa para tratar de contratações de clandestinos, se assim continuar ocorrendo”, frisou Rodrigues ao aceitar as promessas da Oceano para não iniciar as ações sindicais contra as irregularidades.

Jornada de trabalho

oceano5O Sindicato aproveitou o encontro com representantes da Oceano para abortar sobre outro assunto de interesse dos 280 gráficos devidamente registrados pela empresa. “A temática foi sobre o retorno de um Acordo Coletivo de Trabalho referente à jornada de trabalho dos funcionários”, diz Josué Cândida, impressor da Oceano há quase 13 anos e diretor do Sindigráficos. O trabalhador sindicalista lembra que o último acordo do tipo aspirou no ano de 2007. Desde então, os empregados perderam o direito da folga remunerada no Dia dos Gráficos (7 de fevereiro). Além disso, os trabalhadores nunca tiveram uma escala de trabalho mais amena nos fins de semana. Os sindicalistas querem implantar um novo modelo de escala. Eles defendem o trabalho em sábados alternados.

A empresa aceitou debater sobre o assunto, mas adianta ser impossível implementar mudanças na jornada de trabalho. Todavia, o Sindicato se comprometeu de enviar diversos modelos de jornada para avaliação da empresa. Uma nova reunião será realizada na 2ª quinzena deste mês. “Os trabalhadores querem e me cobram que seja implantado o modelo de trabalho em sábados alternados, mas é preciso se organizarem em torno do Sindigráficos para buscar valer esta reivindicação”, diz Josuel. Uma das primeiras ações, segundo lista o dirigente, é se sindicalizar à entidade de classe para fortalecer esta luta em prol da classe. Ele diz que outra iniciativa  indispensável é participar em massa de assembleias promovidas pelo sindicato, quando ocorrer, na frente da empresa.