SINDICATO REAGE AO QUANTO PIOR MELHOR PROPOSTO ONTEM PELO PATRONAL PARA RENDA E DIREITOS DOS GRÁFICOS NOS PRÓXIMOS 12 MESES. NEGOCIAÇÃO PODE SEGUIR POR GRÁFICA

A campanha salarial dos gráficos por direitos e renda durante e depois da pandemia teve mais um capítulo de negociação ontem (27). O patronal, no entanto, apostou no quanto pior melhor para os seus trabalhadores. Atendendo ao desejo de algumas empresas com poder dentro do sindicato empresarial, a bancada patronal presente seguiu a recomendação delas para atropelar rodadas negociais anteriores com o Sindigráficos, Ftigesp e demais sindicatos (STIGs). Ao invés de falar do reajuste salarial e definir sobre a PLR, surgiu com uma pauta nova contra direitos convencionados e quer reduzir o piso salarial de modo que se aproxime do salário mínimo do Brasil. Diante do perfil nada equilibrado de certos patrões e em respeito a todos trabalhadores, a resposta do Sindigráficos e demais sindicatos só poderia ser uma: Se o patronal insistir nisto e não apresentar proposta em relação ao salário e à PLR, a negociação pode passar a se dar direto por empresa e não com seu sindicato patronal. O Sindigráficos aguardará o governo informar a inflação do mês atual, a ser divulgada em 10 dias, para convocar assembleia com os trabalhadores para endossar a sua decisão.

Também não haverá mais rodada de negociação com o sindicato patronal enquanto não sair a inflação de agosto, quando se completará 12 meses (um ano) do último reajuste salarial, já que a data-base da categoria é 1º de setembro. “Ainda assim, a 4º negociação com o patronal, caso ocorra, somente se dará depois da assembleia com os trabalhadores, a qual não será mais na próxima segunda-feira (31), mas só após o governo divulgar a inflação de agosto entre os dias 8 e 10 de setembro. E, desde já, adianto que o Sindigráficos e os demais sindicatos dos gráficos do Estado de São Paulo já decidiram que pedirão todo apoio da classe para seguir na defesa da renda e direitos”, fala Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

O Sindigráficos continuará apostando no equilíbrio e na ponderação nesta campanha salarial com pandemia e cobra do patronal o restabelecimento desse mesmo princípio civilizado. Os trabalhadores reivindicam apenas a garantia de seus direitos convencionados já existentes. Não quer nada de novo por entender os efeitos da pandemia sobre as empresas. A categoria aguarda a decisão sobre a PLR – direito existente há décadas, bem antes da pandemia, a qual, por sinal, só passou a impactar os patrões em março último e não em 1º de setembro de 2019 (data-base referência do direito).  

No sentido contrário à sensatez da classe trabalhadora e do Sindigráficos, mesmo diante da pandemia que tem imposto prejuízos aos trabalhadores, nada equilibrado e ponderado é ver que certas empresas com poder de representação no sindicato patronal tentam se aproveitar justamente da pandemia para retroagir a negociação ao propor ataque vil ao  trabalhador como baixar o adicional noturno (35% para 20%) e a hora-extra (de 65% para 50%), reduzir piso salarial de quase R$ 1,7 mil para R$ 1,2 mil e etc.