SINDICATOS E TRABALHADORES REAGIRÃO NAS GRÁFICAS DO ESTADO CONTRA PATRÕES QUE USAM A ‘CRISE’ PARA TIRAR DIREITOS E BAIXAR SALÁRIOS

2 rodadaASSEMBLEIA DE CAMPANHA SALARIAL NA JANDAIA EM 23 DE OUTUBRO DE 2015 (16)ASSEMBLEIA DE CAMPANHA SALARIAL NA JANDAIA EM 23 DE OUTUBRO DE 2015 (16)ASSEMBLEIA DE CAMPANHA SALARIAL NA JANDAIA EM 23 DE OUTUBRO DE 2015 (16)JAN0
O setor empresarial gráfico confirmou que repassará os efeitos da crise financeira somente para os trabalhadores. Além das demissões, que já chegam a 4,5 mil no Estado; de acumular serviço para o funcionário que fica no emprego; e de fazer contratações com salário menor, o patronal decidiu que isso é pouco e quer botar mais na conta dos trabalhadores. Reunidos nesta terça-feira (27), com a comissão de sindicatos obreiros, liderados pela Federação estadual da categoria (FTIGESP), os patrões insistiram na proposta de que, ao invés de responder a reivindicação da comissão, que exige 13 por cento de reajuste salarial e mais benefícios, tirarão direitos históricos dos gráficos, como acabar a PLR, reduzir o adicional noturno, diminuir cerca de R$ 400 do salário do pessoal do acabamento e diminuir o salário de chefias e impressores que recebem acima de R$ 7.360. Também visam reduzir o salário de todos na empresa, já que não querem recompor o salário diante da inflação (10 por cento), mas só parte dela e ainda em parcelada, sendo4 por cento em novembro/15 e de 3 por cento em maio/16. A revolta foi geral entre os sindicalistas que, de imediato, rechaçaram tal afronta e prometeram resposta à altura do desrespeito ao trabalhador, que é a parte mais importante do processo produtivo. Assim, desde ontem (28), começaram as assembleias dos trabalhadores nas empresas do Estado, e continuarão principalmente naquelas gráficas onde são dos patrões que participam da mesa de negociação salarial da classe.

 

grafica1Um dos mais revoltados era o presidente do STIG Guarulhos, Francisco Wirton. O dirigente disse que o trabalhador não é palhaço e já começou a planejar assembleias simultâneas, pelo menos em 10 gráficas da sua região, na próxima semana. Ele criticou o discurso patronal da crise. “É um pano de fuga para tentar reduzir e retirar conquistas dos gráficos. A Editora FTD, por exemplo, roda de domingo a domingo”. O presidente do STIG São Paulo, Augusto Adriano, também muito chateado com a postura dos empresários, adiantou que se organizará para rebater firme tal situação junto aos trabalhadores da sua base de representação.

Os representantes dos STIGs Taubaté e Jundiaí já anunciaram que vão começar as assembleias já nesta semana. “Faremos várias assembleias e se os trabalhadores toparem pararemos algumas gráficas”, adiantou Sandro Ramos, sindicalista de Taubaté. Ele estava muito revoltado com a proposta de reajuste abaixo da inflação e ainda de forma parcelada. O presidente do STIG Bauru, Amilton Kauffman, lembrou que o trabalhador não é a ‘Casa Bahia’ em alusão a condição de receber parceladamente. “Mostraremos força junto aos trabalhadores nas empresa para combater tal barbaridade”, sentenciaram Kauffman, Ramos e Leandro Rodrigues, que é o presidente do STIG Jundiaí.

Além do problema salarial, os patrões não respeitam nem os direitos já conquistados com lutas no passado. Diante da ofensiva empresarial, o dirigente do STIG Barueri/Osasco, Ivan Cardoso, foi enfático e defendeu que haja paralisação geral nas gráficas onde os proprietários participam da mesa de negociação com a FTIGESP junto à comissão de STIGs.

“O sindicato patronal quer retirar nosso direitos históricos na canetada, mas isso não vai acontecer, porque vamos mobilizar os trabalhadores”, ressaltou o atual dirigente do STIG Sorocaba, Everaldo Nascimento. A revolta entre os sindicalistas é tamanha diante da agressiva proposta patronal que o futuro sindicalista de Sorocaba, vencedor das recentes eleições ao comando da entidade, já entrou de cabeça na campanha salarial e adiantou que atuará firme nas articulações e mobilizações para a realização das atividades sindicais nas empresas da região. Ele deu um recado para que todos os trabalhadores busquem se conscientizar e entrem com tudo nesta luta para buscar reverter a tentativa de redução salarial e retirada de direitos histórico da Convenção Coletiva da classe.

2 rodadaPara Leonardo Del Roy, presidente da FTIGESP, ficou claro que os patrões não estão de brincadeira e estão dispostos a transferir toda a conta da crise para nossa categoria. Eles mostraram a desvalorização que praticam em seus empregados, não considerando a parcela mais importante do processo produtivo, que são os trabalhadores. Assim, o dirigente alertou a toda a categoria em todo o Estado que só há dois caminhos: ou aceita a desvalorização patronal com a retirada de direitos e redução de salário, ou os trabalhadores se unem e se mobilizam em defesa de sua autovalorização para reverter tal situação posto pelos empresários.

A autovalorização da categoria passará por assembleias e paralisações, se necessário for, em várias empresas gráficas em todo o Estado. Essa foi a decisão da FTIGESP e de todos os sindicatos envolvidos na ação. Já foi definido um calendário de luta nas empresas de abrangência de todos os sindicatos que estiveram na negociação com os empresários. O nome das gráficas não serão adiantadas para evitar contrarreação dos patrões sobre os empregados antes da atividade, mas elas já vão começar a partir desta quarta e intensificadas na próxima semana. “O lema de nossa campanha salarial é ‘Lutar para avançar sim, retroceder nas conquistas jamais’. E os patrões entenderão o que isso quer dizer”.

FONTE: FTIGESP