SINDIGRÁFICOS GARANTE BENEFÍCIOS PARA GESTANTES DA JANDAIA QUE FICAREM EM CASA E AOS DEMAIS VULNERÁVEIS À COVID

Na sexta-feira (15), trabalhadoras gestantes da Jandaia e profissionais com alguma vulnerabilidade ao coronavírus, seja por conta da idade ou alguma doença, reuniram-se na empresa com a equipe do sindicato que tem atuado em favor da saúde, renda e dos direitos da classe durante a pandemia. O Sindigráficos negociou um acordo coletivo com a gráfica para manter estes empregados em casa sem maiores prejuízos. Pelo acordo, já aprovado pelas gestantes e demais funcionários, foi incluído melhorias diante da precária Medida Provisória de Bolsonaro (MP 936) onde permite a empresa reduzir salário e suspender o contrato de todos.

Garantiu, por exemplo, melhorias como cesta básica, plano de saúde e demais direitos mesmo para quem teve a suspensão contratual por três meses, como no caso dos trabalhadores mais vulnerárias à covid-19. E eles receberão parte do salário pago pela empresa e mais complemento através do governo. A mesma fórmula de pagamento será aplicada para as gestantes, mesmo com a proposta de acordo de jornada reduzida por dois meses, porém, elas não precisarão trabalhar na gráfica ou em casa.

Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, explica que foram feitos dois tipos de acordos coletivos diante da realidade distinta dos gráficos:  um acordo de redução de jornada/salário de 70% por três meses para as gestantes e um acordo de suspensão contratual por dois meses para os gráficos com idade elevada e/ou com problema de saúde. Ambos são considerados mais vulneráveis ao vírus, tendo assim um risco superior e precisam manter o isolamento social. Ambos acordos foram aprovados pelos trabalhadores em votação secreta, conduzida sexta pelo sindicato.

“No caso das gestantes, mesmo com redução da jornada, ainda assim, teriam de trabalhar 30%, o que podia colocar em risco a saúde delas e filho. Assim, acordamos com a empresa que não podiam trabalhar, mas deveriam ficar em casa, sem prejuízo na renda. A Jandaia aceitou pagar então os 30% do salário delas e, com base na MP 936, receberão ainda os 70% do seu seguro-desemprego que terão direito”, fala Leandro. Ele explica que no caso dos gráficos mais velhos e/ou com alguma doença, mesmo com o contrato de trabalho suspenso, a gráfica também pagará 30% do salário e receberão 70% do seguro-desemprego a ser liberado.

Desde do início da pandemia, estes trabalhadores e gestantes recebem um tratamento diferenciado diante do risco maior de contraírem o vírus. A Jandaia deu férias, licenças remuneradas, inclusive para os menores aprendizes. O Sindigráficos tem acompanhado tudo de perto. A empresa inclusive não tem caso suspeito de covid. O sindicato credita a situação as várias medidas preventivas aplicadas até o momento. Além do álcool em gel disponível em abundância na empresa e o uso de máscaras, estratégias para reduzir a aglomeração dos trabalhadores têm sido adotadas, sobretudo no refeitório e nas entradas e saídas dos turnos.

 

Demissões e homologação   

Nesta terça-feira (19), o Sindigráficos estará outra vez na Jandaia, mas desta vez, infelizmente, o assunto é demissão frente à estagnação do mercado de caderno no Brasil e fora do país por conta da pandemia. 50 trabalhadores foram demitidos há duas semanas e o sindicato fará a homologação da rescisão contratual deles. A ação visa conferir todos os direitos para agilizar o pagamento das verbas rescisórias e a liberação do FGTS e Seguro-Desemprego. Em breve, a entidade deverá realizar a homologação de mais 18 novos desligamentos ocorridos na última semana.