GRÁFICOS DA LOG&PRINT E DA JANDAIA CRUZAM OS BRAÇOS CONTRA O FANTASMA DA TERCEIRIZAÇÃO

JANANCerca de 500 trabalhadores de duas importantes gráficas da Região de Jundiaí, no interior de São Paulo, cruzaram os braços e aderiram ao movimento de paralisação nacional contra o PL da Terceirização.

JANDAIA1Na quarta-feira (15), funcionários de dois turnos da empresa LOG&PRINT, localizada em Vinhedo e que é responsável por produzir as revistas Época e IstoÉ, entraram no movimento puxado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica de Jundiaí (Sindigráficos). No outro dia, os gráficos do 2º turno e alguns do 1º turno da empresa Jandaia, situada em Caieiras, uniram-se a nobre causa da classe contra o terrível fantasma da terceirização nas atividades fins do setor gráfico, bem como em qualquer outra categoria.

Esse projeto foi aprovado por deputados federais na semana passada. A terceirização vai baixar salários, retirar direitos e diminuir a força do sindicato para defender os trabalhadores. O projeto será avaliado pelo Senado depois que a Câmara dos Deputados terminar de analisar as emendas ao PL.

Por esta razão, a fim de pressionar os políticos a barrar o avanço desse projeto, o movimento sindical paralisou o trabalho de várias categorias pelo Brasil. A ação foi liderada pela Central Única dos Trabalhadores, entidade a qual o Sindigráficos é filiado.

JANDAIA2“Os gráficos da LOG&PRINT e da Jandaia deram uma lição de cidadania e consciência de classe”, parabenizou Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos.

Estas foram as únicas gráficas do Brasil que, através dos funcionários, mostraram disposição de luta para paralisar por algum tempo a produção das empresas e se posicionarem contrários ao projeto de terceirização, que os deputados querem empurrar por goela abaixo na classe trabalhadora.

O dirigente conta que as 13 impressoras da LOG&PRINT ficaram todas paradas por quase uma hora. Isso tem um impacto grande. Já na Jandaia as máquinas ficaram paradas por tempo menor. Ele lembra que a terceirização é uma chaga que não pode ser legalizada e todos os gráficos precisam reagir também.

A terceirização vai contribuir para o empresariado reduzir o custo de produção às custas da retirada de direitos trabalhistas das Convenção e Acordos Coletivos de Trabalho, bem como baixar os salários, por meio da contratação de empresa para terceirizar todo o setor produtivo, da pré-impressão até o acabamento, incluindo até mesmo a impressão.

LOG2Os trabalhadores da LOG&PRINT e da Jandaia conhecem de perto o problema da terceirização. Entre os anos 2003 e 2007, havia esta prática dentro dessas empresas e os trabalhadores sofreram muito com isso. Eles não querem que este fantasma volte.

“Foram quatro anos de muita luta, quando assumimos a direção do Sindicato, para garantir a contratação dos empregados que eram terceirizados. Tinha uns 200 na LOG&PRINT e uns 60 na Jandaia.

“Foram muitas ações sindicais com os trabalhadores para acabar com isso. No entanto, com o PL da Terceirização no Congresso, o fantasma pode voltar e é real”, alertou Rodrigues durante as atuais paralisações com os trabalhadores.

JANDAIA3O movimento contou com o apoio de sindicalistas ligados aos Alimentícios de Jundiaí, e aos Sindicatos dos Servidores de Jundiaí e de Itupeva. Contou ainda com o apoio da assessoria do vereador Paulo Malerba (PT).

O dirigente aproveita para agradecer a todos pela participação, mas destaca sobretudo a unidade e a participação maciça dos trabalhadores gráficos nas paralisações.

 

CARTA DO SINDIGRÁFICOS AOS TRABALHADORES

LOG4Desde 1º de março, estamos alertando os trabalhadores sobre a retomada da ofensiva patronal que em conjunto com os deputados bancados por eles, retomaram a tramitação do PL4330. No dia 7 de abril, fomos a Brasília junto com a CUT e a CTB, na tentativa de convencer os deputados patronais que este projeto é extremamente nocivo para a classe trabalhadora. 

Fomos recebidos a base de porrada, bombas de efeito moral, spray de pimenta e bala de borracha pela polícia, a mando do Eduardo Cunha Presidente da Câmara de Deputados. Enquanto isso o Paulo Skaf foi recebido com cafezinho. Vale lembrar que a só os patrões é quem ganham com a terceirização. 

Para os trabalhadores o que sobra é:

REDUÇÃO DE SALÁRIOS;

FIM DO 13º;

FIM DAS FÉRIAS REMUNERADAS;

FIM DO FGTS;

FIM DO SEGURO DESEMPREGO;

E O AUMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO.
LOG5Aqui na LOG&PRINT e na JANDAIA conseguimos depois de muita luta acabar com este tipo de contrato de trabalho. Lembram da Speed Art e da Interpack. Se este projeto for aprovado no senado, a empresa poderá terceirizar todos os setores, da Pré-Impressão ao acabamento. Com isso os trabalhadores terão grandes prejuízos nos salários, e diminuição de direitos, além de aumentarem os problemas referentes a saúde e segurança no trabalho.

Não caiam neste discurso que a Força Sindical e os partidos ligados aos patrões estão fazendo, dizendo que estão regularizando a vida de 12 milhões de trabalhadores. Na realidade estão é abrindo as portas para que mais de 40 milhões de trabalhadores também possam ser terceirizados. Aumentando assim o lucro dos patrões e retirando direitos, e o couro dos trabalhadores. 

 

 

 

 

PL da Terceirização promete mais emprego, mas vai aumentar problemas na vida do trabalhador

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“Funcionários terceirizados ganham 30% menos que efetivos, trabalham 3 horas semanais a mais e, a cada 10 casos de acidente de trabalho, 8 são de funcionários terceirizados”, relembrou a magistrada contrária ao PL. Assista AQUI o vídeo curto da fala da magistrada sobre suas críticas à terceirização e dê a sua opinião. 

Na última segunda-feira (13), a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal realizou uma audiência pública sobre o Projeto de Lei 4330/04, que regulariza as terceirizações no país. Na mesa, a representante da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Noemia Porto, falou sobre a posição contrária da justiça especializada à aprovação deste PL.

Noemia lembra que a Constituição Federal de 1988 garante o emprego decente como direito fundamental, e versa sobre a sua importância na prática. A magistrada também relembra indicadores que não foram destacados no PL: funcionários terceirizados ganham 30% menos que efetivos, trabalham 3 horas semanais a mais e, a cada 10 casos de acidente de trabalho, 8 são de funcionários terceirizados.

Assista o vídeo e dê a sua opinião!

PRESIDENTE DO SINDIGRÁFICOS PODE SE TORNAR SEC. GERAL DA FEDERAÇÃO DOS GRÁFICOS DE SP NA TERÇA

leoO segundo cargo mais importante da Federação dos Trabalhadores da Indústria Gráfica do Estado de São Paulo (FTIGESP) foi indicado para ser assumido por Leandro Rodrigues, que é o presidente do Sindicato da Categoria de Jundiaí (Sindigráficos).

O nome do dirigente foi bem aceito pelos demais sindicalistas das outras 18 entidades da classe no Estado. A chapa, liderada pelo atual presidente Leonardo Del Roy, já foi montada. Rodrigues pode ser eleito secretário geral na última terça-feira deste mês, quando ocorre o pleito para a nova gestão da Federação.

Os preparativos para a eleição e outras pautas foram discutidas na reunião da atual direção da FTIGESP, na capital paulista, nesta segunda-feira (13).

leo2O dirigente, que agradece a confiança de todos, sobretudo à sua direção e aos gráficos da base do Sindigráficos, assumirá o cargo para o próximo quadriênio, iniciando a partir de junho.

O primeiro desafio dele junto com os demais sindicalistas gráficos será conduzir os trabalhos em torno da nova campanha salarial que já se aproxima. Na última campanha, mesmo sem ser secretário geral, Rodrigues teve um papel de destaque nas mobilizações dentro da base territorial de Jundiaí, mas também noutras regiões de São Paulo.

Na avaliação do sindicalista, a campanha não teve um resultado ideal, mas houve avanço, garantindo ganho real no salário e alguns benefícios nas cláusulas socioeconômicas, a exemplo de quase R$ 5 mil adicional no auxílio-creche, a inclusão de mais produto na cesta básica e outros.

O perfil combativo do presidente do Sindigráficos será importante para colaborar na organização dos gráficos em todo Estado.

Jundiaí e Região também ganha com Rodrigues assumindo o comando do segundo cargo politicamente mais importante da FTIGESP. Afinal, ele é presidente do Sindicato local, logo, fortalece-se nas negociações dentro da Região, já que os empresários das empresas locais saberão que estão tratando com quem conduz as negociações também na esfera estadual, tendo, portanto, maior correlação de força para negociar benefícios para os trabalhadores do local.

Além disso, ele terá uma maior legitimidade para articular e realizar mobilizações dos gráficos nas empresas, ou seja, mais força para estimular mais o trabalho de base com todos da categoria.

Contra a Terceirização

naoterceirizaOutro assunto tratado na reunião da FTIGESP foi sobre o posicionamento dos Sindicatos dos Trabalhadores Gráficos de São Paulo em relação à aprovação dos deputados federais referente ao PL da Terceirização, na última semana. O Sindigráficos inclusive foi a Brasília na semana passada protestar com o PL.

A Federação é contrária a decisão dos parlamentares, pois entende que o projeto vai precarizar o trabalho e a vida dos gráficos. “O PL segregará a categoria, rebaixará os salários e excluirá empregos e direitos”, diz Rodrigues. O dirigente lembra que o projeto ainda limitará a atuação dos sindicatos em defesa da categoria.

Desse modo, a FTIGESP é contrária ao PL da Terceirização. E decidiu ratificar o encaminhamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria Gráfica, que, na última semana, após a votação do PL, aprovou o encaminhamento de enviar um documento para todos os senados rechaçando a Terceirização, a fim de que os parlamentares barrem o PL quando chegar ao Senado.

“Entendo que precisamos também protocolar junto aos senadores de SP um documento da FTIGESP expondo o repúdio ao PL da Terceirização”, diz Rodrigues, que levará a proposta para a atual direção da Federação.

Deputados voltam a discutir PL da Terceirização e os trabalhadores ficam entre o inferno e o purgatório

naoterceirizaCom as tênues melhorias no projeto, em meio às contradições do governo, certa divisão na unidade de ação das centrais nesse debate, podemos dizer que transitamos do inferno para o purgatório.

Nesta semana, a Câmara dos Deputados poderá encerrar o debate e votação do PL 4.330/04, que expande a terceirização da mão de obra para o setor final das empresas privadas, públicas, das sociedades de economia mista e a suas subsidiárias e controladas, no âmbito da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Em relação ao conteúdo da proposta em discussão houve melhorias inegáveis no texto-base aprovado na última quarta-feira (8). Mas ainda é muito pouco, se levado em conta que na questão central do tema tem prevalecido os interesses do capital, que é a expansão do trabalho terceirizado para o setor fim da atividade econômica.

A primeira é a que determina que a responsabilidade das empresas envolvidas na relação trabalhista será solidária. Mas se a contratante fiscalizar os pagamentos, a responsabilidade volta a ser subsidiária.

A contradição aqui é o fato de o órgão responsável pela fiscalização trabalhista encontrar-se desmantelado — o Ministério do Trabalho e Emprego.

A presidente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait), Rosa Jorge alerta que “sem auditores-fiscais do Trabalho em número suficiente para fazer a prevenção de acidentes nos locais de trabalho e de análise de acidentes, o quadro tende a se agravar, pois, desde hoje, os trabalhadores terceirizados já são os mais atingidos”.

O Sinait alerta ainda que “Há cerca de 12 milhões de trabalhadores terceirizados. Um incremento de até 50 milhões poderá ocorrer nos próximos anos, caso o projeto seja aprovado.” E emenda: será “uma legião de desassistidos.”

Enquadramento sindical
Neste quesito houve retrocesso. Atualmente, a filiação sindical do terceirizado é livre, sendo que a Justiça do Trabalho tem reconhecido a submissão do contrato de trabalho a acordos e convenções coletivas com os sindicatos da atividade preponderante da contratante, caso a terceirização seja considerada irregular ou ilegal.

No texto aprovado, os trabalhadores da contratada serão representados pelo mesmo sindicato dos empregados da contratante apenas se o contrato de terceirização for entre empresas que pertençam à mesma categoria econômica, garantindo os respectivos acordos e convenções.

Posição do governo
Aparentemente impassível em relação ao tema, o governo interveio para garantir que a mudança na legislação trabalhista não afete a arrecadação de tributos e impostos derivados dessa nova relação trabalhista que poderá nascer com a aprovação do PL 4.330.

Com isso, o governo se comprometeu com o projeto e a presidente Dilma, diante desse fato, talvez tenha dificuldades de vetar a proposta após a aprovação pelo Congresso.

No encaminhamento de votação da matéria, o líder do governo manifestou o voto não, contrário ao texto, mas vários partidos da base manifestaram-se favorável ao projeto.

O silêncio constrangedor em relação ao debate foi quebrado na última quarta-feira pela presidente Dilma Rousseff em discurso para 500 famílias que receberam apartamentos do ‘Minha Casa, Minha Vida’, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

“Entendo que algumas regras têm de ser alteradas, mas a terceirização não pode comprometer os direitos dos trabalhadores. Neste sentido, o governo tem acompanhado o trabalho no Congresso. As alterações não podem servir para que as empresas fujam dos seus compromissos, como por exemplo, a responsabilidade com o trabalhador terceirizado”, declarou Dilma.

Contradições do governo
Em artigo, Toninho do DIAP aponta contradições do governo em meio ao debate sobre o tema.

O silêncio do ministro do Trabalho e “até do ex-presidente Lula — que inclusive pediu a retirada do Congresso de projeto com conteúdo idêntico — no momento em que os trabalhadores mais precisavam do apoio do governo para barrar a versão do projeto em bases precarizantes. A única manifestação, e tardia, veio do ministro da Secretaria-Geral da Presidência”, identificou Antônio Augusto.

O PDT, partido do ministro do Trabalho, encaminhou o voto favorável ao projeto. Dos 19 membros da legenda na Casa, 18 estavam presentes na sessão que aprovou a proposição, e dentre esses, apenas cinco se manifestaram contra a matéria.

Mais contradições, aponta Toninho: “Enquanto os ministros do Trabalho e da Secretaria Geral da Presidência, que estão empenhados em defender as MPs 664 e 665 do ajuste fiscal, fazem declarações retóricas contra a redução ou flexibilização de direitos, os ministros que representam o setor empresarial agem ostensivamente em sentido contrário.”

Assim, com as tênues melhorias no projeto, em meio às contradições do governo, certa divisão na unidade de ação das centrais nesse debate podemos dizer que transitamos do inferno para o purgatório.

Se o projeto for aprovado pelo Congresso, a vida dos trabalhadores ficará mais difícil.

POR Marcos Verlaine - Jornalista, analista político e assessor parlamentar do Diap

FONTE: DIAP

TRABALHAR SEM VALE TRANSPORTE, COM BANCO DE HORAS E ETC. HÁ SUSPEITAS EM GRÁFICAS DE BRAGANÇA

graphisUma cidade e muitas irregularidades trabalhistas podem estar ocorrendo em gráficas de Bragança Paulista. Diversas denúncias têm chegado ao Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica (Sindigráficos) de Jundiaí, entidade responsável pela defesa dos funcionários dessa área. O fato fez com que o órgão sindical iniciasse diligências em empresas do local. O monitoramento começou pela Graphis Studio e LX de Oliveira.

Na primeira gráfica, há queixas de que não tem sido fornecida a cesta básica e o vale-transporte. E há ainda reclamações de que existe banco de horas irregular. Na segunda empresa até um pacote de leite tem sido negado aos trabalhadores. O produto ainda não havia sido incluído, adicionalmente, na cesta básica, conforme determina a nova Convenção Coletiva de Trabalho da Categoria.

Em relação às denúncias de irregularidades trabalhistas na Graphis, que possui cerca de 50 funcionários, a direção do Sindigráficos foi apurar a procedência delas junto aos trabalhadores diretamente na empresa. As principais reclamações versam sobre a cesta básica e o vale-transporte não fornecidos.

Além disso, existem queixas sobre a implantação ilegal de banco de horas. “Confirmamos a informação e falamos diretamente com o proprietário”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O dirigente informa que o empresário garantiu que já zerou o banco de horas e os gráficos não vão precisar pagar nenhuma hora.

Na ocasião, Rodrigues e o diretor sindical Jurandir Franco reivindicaram uma reunião para negociar um acordo de horário de trabalho, a fim de regulamentar a jornada dos funcionários, resolvendo definitivamente o problema.

lx de oliveiraFranco aproveita para dizer aos gráficos da Graphis, que se estiverem dispostos a lutar pelos direitos, o Sindigráficos continuará na pressão para a empresa cumprir todas as obrigações trabalhistas.

O dirigente finaliza lembrando que continuará monitorando outras empresas de Bragança e das cidades vizinhas, a fim de garantir os direitos de todos.

“No caso da LX de Oliveira foi confirmado sim que a empresa não incluiu pacote de leite adicional na cesta básica”, diz Franco. O sindicalista informa que já falou com a empresa a respeito. A irregularidade foi corrigida no último mês.

A inclusão de mais um pacote de leite foi conquista da campanha salarial do ano passado. Apesar do direito ter sido alcançado há cerca de seis meses, há empresas que continuam sem inserir o produto.Os trabalhadores devem denunciar o caso ao sindicato, que tomará as providências.

FGTS e Seguro-Desemprego garantidos

acrescenteDepois de penar alguns meses, 57 trabalhadoras da Acrescente, fechada desde o início do ano, conseguiram na Justiça o direto a sacar o FGTS e dar entrada no Seguro-Desemprego. Foi necessário o Sindigráficos entrar na Justiça para garantir o direito dos empregados fazerem a homologação e conseguirem as guias necessárias dos referidos benefícios.

Porém, a luta continua para receberam as verbas rescisórias. Pois a Justiça, através de tutela antecipada, apenas garantiu a obrigatoriedade de liberar as guias do FGTS e do Seguro-Desemprego. O restante dos direitos será batalhado em ações judiciais individuais. O sindicato já realizou o atendimento jurídico de quase 90% deste público.

REFEIÇÃO Outro problema está na empresa D’Arthy. Ela não cumpriu a promessa de fazer o refeitório e oferecer a refeição dos trabalhadores. Esta tem sido uma bandeira de luta frequente do sindicato e dos trabalhadores nos últimos anos.

“Diante de uma forte mobilização dos gráficos no ano passado, a empresa se comprometeu em atender o pleito, já que os funcionários não têm opção de comer no entorno, por se tratar de um condomínio industrial sem opções”, diz o sindicalista Marcelo Souza.

O diretor informa que está em cima da empresa para fechar o acordo e alerta os trabalhadores para estarem preparados para um novo embate, se for necessário, até conseguir garantir o benefício.

COMITÊ DAS MULHERES DO SINDIGRÁFICOS FAZ EVENTO PARA AS TRABALHADORAS E ALERTA SOBRE OS DIREITOS

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Já pensou em um lar onde o homem fica em casa enquanto a mulher sai para o trabalho e ao laser? E este mesmo homem sempre fica como o responsável pelos afazeres domésticos, cuidando e preparando tudo para quando a mulher chegar em casa. E ao chegar, a mulher não reconhece o trabalho, reclama com ele e chega a agredi-lo? Pois é, tal realidade é bastante comum a muitas mulheres, mesmo sendo elas trabalhadoras na rua e em casa, acumulando jornadas de trabalho ao dia. Esta questão da carga extra de trabalho e da violência doméstica, sofrida pela mulher, foram retratas, de forma inversa, em um filme exibido no bingo das trabalhadoras associadas ao Sindigráficos. Era o homem quem sofria esta perversa realidade da atual cultura machista 

Cerca de 70 profissionais gráficas de empresas de Jundiaí/SP e cidades vizinhas participaram no último domingo de março, mês das Mulheres, do tradicional Bingo das Trabalhadoras da Classe, promovido pelo órgão da classe (Sindigráficos), e realizado, pela primeira vez, pelo Comitê das Mulheres da entidade, que completou o primeiro ano de existência.

Além das ações voltadas ao lazer das participantes, que premiou diversas das sindicalizadas, a atividade contou com alguns momentos de formação e de conscientização delas sobre direitos da mulher diante de uma cultura social ainda machista.

acordaA apresentação do filme “Acorda Raimundo Acorda”, por uma das palestrantes, foi o ponto auge do evento, que retratou, de forma inversa, a violência sofrida pela mulher no cotidiano. A criação do Conselho da Mulher pela prefeitura de Jundiaí, bem como a sanção da Lei do Feminicídio, que endureceu as penas para o homem que comete crime por gestão de gênero, também foi pautado no evento.

“O tema do feminicidio será inclusive o assunto do primeiro encontro de formação das trabalhadoras gráficas na área de abrangência do Comitê das Mulheres do Sindigráficos”, antecipa a coordenadora do Coletivo, Valéria Simionatto.

bingVoltando ao Bingo, a animação tomou conta da mulherada no salão da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí, local onde elas dançaram e cantaram muito ao som da Grupo de Samba Estou 100 Rumo, formado só por trabalhadores gráficos da região. Tudo foi regado ao bom churrasco e bebida. Tudo foi gratuito, já que as participantes são todas sindicalizadas e merecem muito mais.

Antes disso, a atração foi o tradicional bingo, que concentrou a atenção delas. Focadas na possibilidade de ganhar os prêmios, oferecidos pelo Sindigráficos, houve até torcida organizada para as ganhadoras dos prêmios. Ecoavam o nome das empresas em referência as vencedoras.

leoO presidente do Sindigráficos, Leandro Rodrigues, aproveitou o evento para realçar a importância da sindicalização voltada ao fortalecimento das próprias trabalhadoras, em defesa dos direitos específicos delas.

Dentre eles, o dirigente lembrou da nova cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho da Categoria que concede quase R$ 5 mil anual para as funcionárias com filhos de 3 anos de idade. O direito agora vale para quem tem filhos de 3 anos, antes era até 2.

Todavia, mesmo assim, o dirigente lembrou que, este ano, o bingo teve uma presença menor de participantes devido a crise no setor, que causou o fechamento de uma importante empresa na região, a gráfica Acrescente, além da redução no número de trabalhadoras em outras. Porém, ele lembrou que uma grande empresa está chegando à região, a Gonçalves, que absorverá, certamente, muitas dessas profissionais.

conatigO presidente da Federação dos Trabalhadores Gráficos do Estado de São Paulo, Leonardo Del Roy, também prestigiou o evento. O dirigente já foi presidente do Sindigráficos de Jundiaí na década de 1970, e disse que não poderia abandonar a sua história, por isso garantiu participação na atividade.

Ele aproveitou para lembrar às participantes de que não haverá condição melhor de vida e trabalho se elas não permanecerem junto ao sindicato, bem como não convidarem mais trabalhadoras para se somar à luta.

“O sindicato é a única instância que pode melhorar a vida de cada uma”, disse ele, lembrando que as trabalhadoras precisam por fim a cultura do silêncio, em alusão a problemas comuns dentro das empresas, a exemplo das doenças por esforço repetitivo (LER/Dort). Estas que são agravadas por condições inadequadas do maquinário e das bancadas de acabamento. O universo de trabalhadoras que podem estar sofrendo com este tipo de doença é alto e chama muita a atenção.

“Infelizmente, outro problema constante e crescente entre as mulheres, são as doenças relacionadas às questões psicológicas em decorrências da pressão dos patrões ou chefes por maior produtividade, ou seja, isso se chama assédio moral”, conta Rodrigues.

Dentro desse contexto, a fim de amenizar os problemas na vida das profissionais, o Sindigráficos, que é filiado à Central Única dos Trabalhadores, oferece o serviço gratuito de acompanhamento psicológico para tratar esta questão.

O dirigente aproveita para agradecer a participação das trabalhadoras no bingo e antecipa que, em conjunto com o Comitê das Mulheres do sindicato, já planeja mudanças na atividade do próximo ano, visando qualificar ainda mais a vida de cada uma das trabalhadoras sindicalizadas da entidade.