AUTUADA POR SONEGAR PLR, GRÁFICA XIMENES/LX VOLTA A AGIR. FAZIA SORTEIO ATÉ PARA DIZER QUEM RECEBIA PLR

ximenes1

Uma lista de ataque aos gráficos. Esta é a realidade dos trabalhadores da Gráfica Ximenes/LX Oliveira, em Bragança Paulista. A empresa, que já foi autuada por fiscais do Ministério do Trabalho por não pagar a PLR dos seus funcionários, deverá receber nova fiscalização. Ela fazia até sorteio para definir qual empregado receberia tal direito obrigatório na data que lhe convinha. Na lista de irregularidades, além de não ter pago a primeira parcela da PLR dos gráficos deste ano, vencida desde abril, a empresa vem deixando de pagar o FGTS dos funcionários desde 2014, bem como tem problemas na cesta básica, no registro de profissionais e no pagamento de férias e das horas-extras de todos. O Sindicato da classe (Sindigráficos) já solicitou a ida dos fiscais para a empresa. A ideia é de que ela agora cumpra suas obrigações, se não quiser ser atuada outra vez, complicando-se ainda mais, além de posteriores efeitos judiciais e financeiros.

ximenes2“Não queremos prejudicar a empresa, mas como ela não aceita nossa cobrança e continua sonegando os direitos dos gráficos, faremos nosso papel em defesa da categoria”, diz Leandro Rodrigues, revoltado com tudo que acontece no local. Além de tantos problemas, ela ainda atrasa o salário dos gráficos e há muito tempo. A data definida para o pagamento é no dia 5 de cada mês, como define a Convenção Coletiva de Trabalho da classe, porém, isso normalmente não acontece.

Valter Correa, dirigente do Sindigráficos que atua em Bragança, alerta para outro problema muito sério: existe suspeita de que a cerca de um ano há dois gráficos laborando no local sem a Carteira de Trabalho assinada. O assunto também compõe o objeto da  fiscalização requerida pelo sindicato, bem como o não recolhimento do FGTS de todos trabalhadores desde o ano de 2014, além de outros descumprimentos da convenção coletiva.

“O não pagamento da PLR e os problemas com a cesta básica dos gráficos, como apontam as denúncias dos empregados, são claras violações à convenção”, diz o advogado do Sindigráficos, Luis Carlos Laurindo. Há indícios de que a Ximenes/LX Oliveira deixou de distribuir a cesta básica desde maio. Já são três meses sem receber o benefício. E de janeiro à abril deste ano, retirou um pacote de leite de cada cesta que foi entregue neste período.

ximenes3Correa ainda recebeu queixas de que a empresa não costuma entregar o comprovante de férias do gráfico, nem pagar os 30% adicionais. Além disso, outro problema corriqueiro no local ocorre quando o sábado é feriado, a exemplo do último dia 9. A empresa só libera 4h e não 7h20 da jornada semanal, como diz a Convenção, nem paga a hora-extra em questão.

Tudo já foi protocolado no pedido de fiscalização ao Ministério do Trabalho. “O gráfico não deveria ficar tanto tempo calado sofrendo tudo isso. Não esperem o mal ficar ainda pior. Denunciem e se protejam. Sindicalize-se AQUI“, diz Rodrigues.

TEMER QUER TERCEIRIZAÇÃO, FLEXIBILIZAÇÃO DA CLT E PROGRAMA DE REDUÇÃO DO SALÁRIO ATÉ O FIM DO ANO

temer1

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, afirmou ontem que o governo do presidente interino Michel Temer vai enviar ao Congresso até o final do ano três propostas na área trabalhista: uma atualização da CLT, a regulamentação da terceirização e a transformação do PPE (Programa de Proteção ao Emprego) em algo permanente. Sobre a CLT, a ideia é prestigiar a negociação coletiva (negociado sobre o legislado), com abertura da possibilidade de flexibilização de jornada e salário, e uma simplificação da lei para evitar interpretações diversas. No caso da terceirização, Nogueira disse que a proposta deve incorporar ideias de vários projetos no Congresso, incluindo aquele já aprovado na Câmara no ano passado. “Essa discussão de atividade-fim e atividade-meio é irrelevante neste momento”, disse. No caso do PPE, aquele programa que reduz o salário e a jornada de trabalho em até 30%, o governo enviará um projeto de lei para torná-lo uma política permanente. 

temerO governo não quer mexer com questões relativas a direitos como parcelamento de férias e do décimo terceiro salário. “A CLT será atualizada com o objetivo de simplificar, para que a interpretação seja a mesma para o trabalhador, o empregador e o juiz”, disse o ministro. “Direitos não serão revogados”, completou.

No caso da terceirização, Nogueira disse que a proposta deve incorporar ideias de vários projetos no Congresso, incluindo aquele já aprovado na Câmara no ano passado, mas que não será liberada a terceirização de qualquer atividade, mas somente de alguns serviços especializados. Segundo ele, será criado um grupo de trabalho para definir o que são e quais serviços poderão ser terceirizados.

“Vamos trazer o trabalhador, o empregador e especialistas da área para aprimorar as propostas da terceirização em busca de um consenso”, destacou Nogueira. “Essa discussão de atividade-fim e atividade-meio é irrelevante neste momento”. No caso do PPE, será enviado um projeto de lei para torná-lo uma política permanente. Hoje, o PPE tem prazo de adesão até o final de 2016 e acaba em 2017.

temerA ferramenta foi criada para proteger empregos em momentos de redução temporária da atividade econômica e prevê, por exemplo, a redução de até 30% na jornada e no salário por meio de acordo coletivo. Antes, o ministério quer mudar o programa para aumentar a participação do setor de serviços. “É uma política de socorro para garantir emprego”, disse o ministro.

“O Brasil está retomando a empregabilidade e a confiança no mercado. As empresas não vão precisar do PPE, mas será um programa que estará à disposição para todos os setores que estiverem em crise”, concluiu Nogueira. Em entrevista ao Portal G1, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, defendeu a aprovação das propostas ainda neste ano. “Acho que, se o ministro está defendendo isso, é importante que a gente possa conversar com os líderes e tentar construir essa agenda.”

 

FONTE: Com informações do DP

GRÁFICOS TRABALHAM POR DOIS E GANHAM POR METADE DE UM. PERDEM R$ 1,3 MIL TODO MÊS. MPT SERÁ ACIONADO

Delta1

Gráfico, já se imaginou laborando por dois todo dia e recebendo só pela metade de um, com a carga de trabalho de 114% e com um rendimento salarial de 50,77%. É isso que está ocorrendo com dezenas de gráficos da Delta Promo, em Caieiras, empresa conhecida pelo passado de informalidade e mais irregularidades, inclusive já autuada pelo Ministério do Trabalho. Por isso, na última sexta-feira (15), o Sindicato da categoria (Sindigráficos) fez uma nova blitz no local e flagrou 15 gráficos do horário diurno e mais 40 da noite sem o registro na carteira. Foi quando também foi constatado que os trabalhadores do período noturno fazem um jornada maior (das 20h às 6h). São 10 horas diárias e sem receber hora-extra. Cada um recebia R$ 50 por dia. O correto é mais de R$ 130. Mas era só R$ 50. E nada a mais. R$ 50 para correr ainda todo risco de se acidentar neste trabalho e ficar abandonado, porque não terá direito aos benefícios previdenciários por laborar clandestino. Apenas R$ 50. E nada de descanso semanal remunerado e férias proporcional. De FGTS e de 13º salário proporcional. Nada de cesta básica e de PLR. Nada de nada. Inclusive nada dos direitos previdenciários (aposentadoria e/ou auxílio doença e etc.). Assim, o prejuízo mensal de cada gráfico por mês é de R$ 1.371,50 com o não recebimento de tais direitos, sem falar todo o prejuízo com a diferença salarial e outros direitos negados. O calculo, que foi feito pelo sindicato, é baseado no valor do piso salarial da classe. 

Delta2Portanto, o gráfico na informalidade perde diretamente no salário (o piso da categoria é de R$ 1.414,60) e perde bastante dinheiro nos reflexos dos direitos. Mais de 1,3 mil todo mês conforme calculou o sindicato. É bom lembrar que o rendimento mensal do gráfico diz respeito sempre ao seu salário direto, mas também há reflexos referente a todos os direitos.  Os gráficos da Delta Promo, que estão na informalidade devem procurar o Sindicato para que o órgão entre com ações na Justiça do Trabalho a fim de garantir todos direitos.

Cada um dos gráficos do horário noturno, por exemplo,  por estarem como informais, perdem por mês, no mínimo, R$ 414 por não terem descanso semanal remunerado, R$ 305,55 pelo não pagamento das 24 horas-extras mensal, R$ 157,17 por mês correspondente às ferias proporcional e mais o 1/3. “Além disso, ainda perdem R$ 117,88 mensal do 13º salário proporcional, mais R$ 77,95 equivalente a parte mensal da PLR, mais R$ R$ 140 da cesta básica na região de Caieiras, além de não ganhar adicional noturno, aviso prévio e etc. É prejuízo total”, conta Marcelo Sousa, diretor do Sindigráficos.

Não aceite isso calado. Denuncie AQUI. O Sindigráficos sempre atuará em defesa dos gráficos, inclusive daqueles na informalidade, que são as vítimas de empresários sonegadores de direitos. “Somos solidários aos trabalhadores que estão na informalidade, que, por um lado, apesar de resolverem o seu problema imediato, ganhando o dinheiro do pão do dia; por outro, incentiva o patrão a continuar com tal prática, e ainda pior, faz o desemprego continuar, com consequente perda de dinheiro e direitos para os próprios trabalhadores”, alerta Valdir Ramos, diretor do Sindigráficos. Denunciem AQUI

Delta3O Sindigráficos já solicitou ao Ministério do Trabalho o levantamento das fiscalizações realizadas pelo órgão na empresa, inclusive aquelas que resultaram em autuações. O pedido visa frisar a recorrência dos delitos, para, em seguida, acionar a responsabilidade civil e criminal da empresa junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT). “A nossa intenção é que a empresa respeite as leis, já que vem desconsiderando a muito tempo, desde 2007, quando identificamos o primeiro caso”, diz Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos.

Ele diz que a iniciativa dura contra a empresa Delta Promo, que sirva de lição para todas as demais, visa garantir o direito dos empregados gráficos às referidas leis trabalhistas (verbas-rescisórias e etc.), previdenciárias (todas aquelas do INSS), fundiárias (FGTS) e as convencionadas (como a cesta básica e PLR). O sindicato já travou muitas outras lutas no passado para coibir a prática ilegal da informalidade em gráficas de Cajamar, Vinhedo, Caieiras, Jundiaí, Itupeva e outras mais.

O advogado do Sindigráficos, Luis Carlos Laurindo, aproveita o caso dos 65 gráficos na condição de informalidade na Delta Promo para explicar à categoria que todos os trabalhadores, até nestas condições, têm direitos previstos em lei, pois todos têm um tipo de vínculo empregatício, seja informal, ou formal (com registro na carteira). Todos têm direitos garantidos. “Os gráficos na condição informal são classificados com o vínculo por tempo indeterminado. E assim, estão enquadrados pela lei para receberem também as verbas rescisórias (aviso prévio, férias, 13º salário, FGTS e os 40% e etc.) e muito mais”, ressalta.

Delta4O jurista deixa claro que todos trabalhadores, todos mesmo, com ou sem registro na carteira, apesar de muitos patrões não saberem ou tentarem sonegá-los, têm direito a aviso prévio e todos os demais direitos. Mas, cabe ao trabalhador buscar recuperá-los acionando a Justiça. Denuncie AQUI.

Laurindo reforça aos patrões que a prática da informalidade é ilegal e imoral e não há vantajosa financeiramente alguma com tal sonegação dos direitos dos trabalhadores. Ele lembra que a empresa, após praticá-la, depois de descoberta, será autuada pelos órgãos federais competentes e impedida de participar de licitações públicas para ofertar seus serviços. Terá ainda de pagar multas pesadas, a exemplo de no mínimo 10 salários devido a sonegação da contribuição previdenciária, além de ter que pagar as parcelas do INSS respectivas ao trabalhador, bem como todos os demais direitos pendentes.

Delta5“Além do prejuízo financeiro e de ficar de fora de licitações do governo, a empresa também poderá perder clientes do setor privado, caso tais clientes não queiram compactuar com uma gráfica que mantém práticas ilegais e imorais”, destaca o Sindigráficos. A entidade classe avalia denunciar aos clientes da Delta Promo que a empresa atenta contra as boas práticas morais, sendo seus clientes, por tabela, apoiadores de empresas com práticas arcaicas que submetem seus trabalhadores a condições precárias.

Mais problemas

A Delta Promo também deve a 1ª parcela da PLR deste ano, FGTS de muitos anos, promove a prática ilegal do banco de horas. “A empresa já se mudou várias vezes de endereço, mas sempre estaremos atrás dela aonde ele for em prol da garantia dos direitos dos gráficos”, avisa Sousa, convocando os gráficos a se aproximar do sindicato. Sindicalize-se AQUI!

REUNIDOS NA ESPANHA, GRÁFICOS DO MUNDO DESTACAM RISCO AOS DIREITOS DOS TRABALHADORES NO BRASIL

espanhaOs direitos dos gráficos e demais trabalhadores da ativa e aposentados estão ameaçados no Brasil com o afastamento da presidente Dilma e o desejo do governo interino de aprovar medidas impopulares que visam reformar direitos trabalhistas e previdenciários, como define o Programa Ponte para o Futuro, do partido do então presidente interino Michel Temer. Entre as medidas, visa terceirizar a mão de obra dos gráficos e todas profissões, permitir a negociação de direitos trabalhistas abaixo das leis mínimas consolidadas, e ampliar a idade para se aposentar. O tema foi abordado pela Confederação dos Gráficos do Brasil (CONATIG) aos gráficos do restante do mundo na reunião do Comitê Diretivo e do Comitê Executivo da UNI Sindicato Global de Gráficos e Embalagens. O encontro ocorreu em Barcelona, na Espanha, no final do último mês. A CONATIG ainda apresentou as ações do órgão brasileiro para fortalecer a classe, que reúne 90 mil dos 220 mil gráficos do país em São Paulo.

temer“A reunião do Comitê Diretivo foi realizada no último dia 26 e pudemos apresentar inicialmente nossa preocupação com a instabilidade política no Brasil com o afastamento da presidente Dilma, sem consenso jurídico quanto as razões do impeachment e, ainda, os riscos aos direitos dos trabalhadores com projeto de estado mínimo do presidente Temer, como a terceirização e as reformas nas leis trabalhistas  e da Previdência”,  relata Leonardo Del Roy, presidente da CONATIG presente no local. Nos dois dias seguintes, o tema foi aprofundado pelo dirigente durante o encontro do Comitê Executivo da UNI Global Gráficos e Embalagens.

O governo interino, com sua Ponte para o Futuro, ataca uma série de direitos dos trabalhadores e dos aposentados. Ele cria perspectivas de alteração nas regras da aposentadoria em relação à idade mínima para conceder o benefício, ameaça até a aposentadoria especial dos gráficos e outras mazelas. Aos trabalhadores da ativa, quer mudanças sobre a legislação trabalhista, em especial a ampliação da terceirização para as atividades fins, como a dos gráficos, bem como a prevalência da negociação individualizada sobre o direito já legislado, inclusive sobre os direitos definidos nas respectivas Convenções Coletivas de Trabalho.

pont1“Num cenário atual com 12 milhões de desempregados no Brasil, toda essa ideia de flexibilização de direitos, sobretudo o “negociado sobre o legislado”, deixará o trabalhador mais vulnerável ao ataque patronal”, fala Del Roy. Ele lembra que o trabalhador, movido pela necessidade do emprego, fica bem fragilizado e submetido a aceitar a redução de seus direitos coletivos. O cenário é bem favorável para a empresa pressionar os seus funcionários, já que, com a nova lei, terá condição de reduzir direitos e ainda afastar os empregados do sindicato da categoria, que estará mais fragilizado, em face da situação econômica existente, para buscar garantir estes direitos. E, para o setor gráfico, a situação é ainda mais complicada porque a maioria do ramo é formada por pequenas e médias empresas, condições onde o impacto da crise é ainda maior.

Del Roy aproveitou ainda para destacar algumas ações desenvolvidas pela CONATIG no Brasil. O dirigente frisou o projeto nacional do órgão no tocante a orientações sobre o enquadramento sindical das empresas gráficas, que conta inclusive com o projeto de comunicação para difundir tais iniciativas e esclarecimentos. A CONATIG até já realizou mudanças estatutárias sobre a questão e conseguiu chegar ao entendimento junto ao Ministério do Trabalho de que todo produto impresso em qualquer empresa é do segmento gráfico, a exemplo das empresas nas áreas de Comunicação Visual, mais conhecidas como as gráficas rápidas, cujas Del Roy considera como o futuro do segmento gráfico e, portanto, indispensáveis seus enquadramentos sindicais como do setor gráfico.

80horasDentre outros itens, também foi tratado sobre a atuação dos sindicatos nas empresas multinacionais, bem como a luta para se conseguir adotar acordos globais, condições indispensáveis para criar e garantir critérios de igualdade da mesma empresa do grupo em todas as regiões que as mesmas estabeleçam, a exemplo da questão da sindicalização e ainda da organização de sindicatos. Neste quesito, a CONATIG colocou que, quando for possível celebrar um Acordo Global, é preciso trabalhar em ações sindicais integradas no sentido de estabelecer ações comuns e com levantamentos de posições dessas empresas em todo o mundo.

Na ocasião, o novo gráfico chefe da UNI Global Gráfico, Javier Carles, apresentou seu histórico e perspectivas de trabalho na organização da categoria no mundo. Destacou inclusive as ações voltadas para um processo de sindicalização e organização de sindicatos em empresas multinacionais. “Saímos do encontro com boa perspectiva com a chegada do Carles, que é uruguaio, próximo do Brasil, como também o anúncio da chegada da gráfica Joaquina, da Espanha, que assumirá a presidência da UNI Gráficos no lugar do sueco Tommy Anderson, que tende a fortalecer a integração da organização e mobilização dos gráficos da América Latina junto à UNI Global face aos menores entraves na questão linguística”, destaca Del Roy. Joaquina assumirá o posto em 1º de abril de 2017.

FONTE: CONATIG

FILHO ÓRFÃO COM MÃE VIVA. ISTO OCORRERÁ SE TEMER ELEVAR JORNADA LABORAL E TEMPO PARA SE APOSENTAR

foto1

Ou a mulher trabalhadora não poderá ter mais filho, ou deixará ele órfão, bem como ela deixará de estudar e de decidir suas outras prioridades na vida. É isto que ocorrerá com as profissionais gráficas, por exemplo, se o presidente interino Temer aprovar leis que ampliam o tempo para elas ficaram no serviço. O então governo, que não tem uma única mulher no comando de seus ministérios, quer aumentar o tempo de contribuição da mulher ao INSS e ainda ouviu de empresários industriais a necessidade de aumentar a jornada de trabalho de 44 horas para 80 horas semanal.   O Comitê Feminino do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Jundiaí e Região (Sindigráficos) repudia essa mentalidade atrasada e desumana e chama a classe para se unir, organizar e lutar contra tamanho ataque.  

foto2Nenhuma das propostas foram aprovadas ainda, mas o governo já disse que quer elevar o tempo para a mulher e o homem se aposentaram. Ele quer inclusive igualar o tempo de contribuição delas ao do homem. Sem nenhuma sensibilidade, desconsidera que as mulheres acumulam uma dupla (tripla) jornada, cuidando dos filhos e da família e da própria casa, além de diferenças fisiológicas, por isso, aposenta-se com menor tempo. Aliado à isso, se acatar o desejo do patrão sobre a jornada, as mulheres   passarão 12 horas por dia no serviço. “Com isso, somado ao tempo que gasta no transporte, a trabalhadora, mesmo viva, deixará seu filho órfão, tamanho a ocupação só com o trabalho. E àquela que ainda não tem filho, dificilmente pensará ou poderá ter, diante dessa violenta jornada”, critica bastante Valeria Siomionatto, trabalhadora da empresa Log&Print e diretora do Sindigráficos e coordenador do Comitê Feminino do órgão.

“Quem ficará com os nossos filhos com está jornada de 80 horas de trabalho por semana? Não tem escola no mundo que fique tanto tempo com ele. Também não tem corpo e/ou saúde que suporte tanto trabalho.   E como vamos estudar? Com 44 horas, já temos que nos ‘virar nos 30. É preciso reduzir para 40 horas semanal. É isso que o governo precisa fazer”, diz Cidinha Reis, empregada da empresa Nova Página e diretora do Sindigráficos e integrante do Comitê das Trabalhadoras Gráficas.

80horasA aposentadoria das trabalhadoras também estará sob ataque do atual governo interino se ele enviar mesmo a proposta ao Congresso Nacional para reformar a Previdência. O governo quer aumentar a idade mínima de contribuição para se aposentar e ainda igualar o tempo entre homens e mulheres. “Aumentar a idade é um crime. A aposentadoria é a garantia da vida ao trabalhador(a) que tanto já contribuiu para o futuro do País. Não é justo cobrar ainda mais dele(a), ou então limitar o seu acesso, com aumento de contribuição, muito menos através da justificativa do ajuste fiscal, reclama Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindigráficos.

temerO governo interino primeiro precisa atuar para sanar os problemas na Previdências oriundo da alta sonegação dos empresários ao INSS. “O patrão continua descontando o INSS do trabalhador e não recolhe para a Previdência. Isso gera um rombo e precisa ser resolvido. Não é sobre o trabalhador que o problema existe, que já paga automaticamente tudo. Portanto, não é justo aumentar o seu tempo de contribuição ao INSS”, questiona Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. Ele defende que Temer e seus ministros atuem no sentido de corrigir esta distorção, bem como traga eficiência aos mecanismos de arrecadação do INSS, sem onerar duplamente os trabalhadores, que não têm culpa da crise.

Laurindo aproveita para criticar a insensibilidade da proposta que visa igualar homens e mulheres no tempo de contribuição ao INSS. “Não se iguala os desiguais”, diz. Ele fala que as mulheres têm gestação, filhos, sofrem discriminação e preconceito no mercado de trabalho, impondo a elas maiores limitação à evolução da carreira profissional, bem como são mais suscetíveis ao adoecimento ao longo da vida laboral, além dos respectivos problemas para a recolocação no mercado de trabalho”, diz  alguns das diferenças  o advogado do Sindicato. Ele avalia que, diante dessas e de outras questões, é um absurdo falar em elevar e igualar o tempo de contribuição ao INSS, pois ficará ainda mais difícil à mulher se aposentar, e, com uma jornada de 80 horas semanal, será impossível.

GRÁFICOS DO DIÁRIO/SP SE UNEM E PARAM PRODUÇÃO. PATRÃO ACEITA A GREVE, PAGA SALÁRIO E TRANSPORTE

diario1

Cansados de trabalhar sem receber salários, transporte, alimentação, nem mesmo informação sobre as datas desses pagamentos, a revolta e a consciência de classe tomou conta dos gráficos do Diário/SP nesta quarta-feira (12). Cruzaram os braços e pararam a produção até que o patrão se posicionasse. Há três meses não recebem vale-alimentação e o salário de junho não havia sido pago. Com isso, a geladeira de muitas já não tinha nada para comer. Todos estavam com muitas dívidas (água, luz, cartão e etc.) sem ter como pagar. A família passando  necessidade, inclusive os seus filhos. Pediam até dinheiro emprestado à familiares e vizinhos para poder pagar o transporte para continuar indo ao trabalho. É isso aí. Pagavam para trabalhar. Até que decidiram dar um basta. Foi então que os trabalhadores se solidarizaram entre si e com a atuação do Sindicato da classe (Sindigráficos). E a greve iniciou, durando horas. E a situação já mudou depois de decidirem lutar diante de todo o sofrimento e de perceberem que de nada valeu dar tanto crédito ao patrão, sem a necessária unidade, organização e mobilização da classe. Nunca vale.

diario2O movimento paredista começou às 6h e foi até às 13h10. A ação teve a adesão de quase 100% dos gráficos. A mobilização, mesmo com forte aparato policial no local, só foi suspensa com o anúncio do pagamento do salário atrasado, do vale-transporte e do reconhecimento da greve pelo patrão. Ele garantiu não descontar as horas desta paralisação, bem como vai ressarcir todas horas descontadas de outro movimento antes. No dia seguinte à greve, o Sindicato confirmou com os trabalhadores o pagamento dos salários. O dinheiro foi depositado na conta de cada um. E a empresa também depositou o dinheiro referente ao vale-transporte.

diario3A greve não acabou. Só foi suspensa. Pode voltar na segunda-feira (18). Os gráficos aguardam uma resposta patronal sobre os pagamentos dos vales-alimentação, como ficou acordado para obter a trégua na greve. Ficou condicionada também uma resposta em relação ao pagamento do FGTS atrasado e as multas por vários atrasos salarial, que o jornal havia se comprometido em pagar no último dia 29, conforme negociado antes, mas a empresa não honrou. “Qualquer represália aos gráficos por conta da greve, o movimento paredista voltará a qualquer hora”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, conforme ficou acordado.

diario4Os trabalhadores também se sindicalizaram em massa ao Sindigráficos, somando-se aos outros que já eram filiados, bem como já autorizaram o sindicato entrar com uma ação coletiva na Justiça para garantir o FGTS, caso a empresa não cumpra com sua palavra no anúncio do pagamento na próxima segunda-feira. “É preciso manter a unidade e a organização para continuarmos avançando. Foi só o início. Não tem nada definido. Só houve um pequeno avanço devido a chegada dos gráficos na luta junto conosco do sindicato, que víamos negociando sozinhos com o jornal há muito tempo. Houve um salto de organização com a greve e as novas sindicalizações”, parabeniza Jurandir Franco, diretor do Sindicato.

diario5A greve é sempre o ponto auge da solidariedade entre os trabalhadores. O movimento paredista é o momento único onde o gráfico tem que optar de que lado está: se do patrão, ou da sua categoria. E quando decide aderir à greve, escolhe solidariamente unir forças em favor de um bem comum para todos. Foi isto que os gráficos do Diário/SP fizeram. Todos unidos em torno de um objetivo coletivo. Lutaram pelo salário e direitos, mas também por respeito e a dignidade que merecem. “Com a unidade dos (e entre os) trabalhadores, bem como a sua organização e sua mobilização através da liderança e da proteção de um sindicato firme, a categoria consegue vencer e afasta muitos prejuízos que acontecem.

diario6O Sindigráficos vem atuando firme. E não vacilou na hora de realizar a greve e de dar o apoio aos empregados do Diário/SP. A solidariedade da classe contou inclusive com a participação do presidente e tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Sorocaba e Região, João Ferreira e Ezequias Costa respectivamente. “Eles participaram desde os primeiros momentos da greve até sua suspensão”, agradece Rodrigues. Ferreira aproveitou para parabenizar a unidade e a consciência dos trabalhadores durante a greve, porque, desde o seu início, revoltados com a situação, já mostraram o que queriam e que lutariam todos juntos. “Vimos que é grande o descaso do patrão com seus gráficos do Diário, mas vimos aqui muita unidade entre a classe. E isso se transformará em mais conquistas logo em breve”, avaliou o sindicalista Ezequias Costa.