07 de fevereiro Dia do Trabalhador Gráfico

07/02 – DIA NACIONAL DO TRABALHADOR GRÁFICO 07 DE FEVEREIRO

“SOMOS HERDEIROS DE UMA TRAJETORIA DE LUTAS, CABENDO A NÓS ATUAIS DIRIGENTES, GARANTIR, DEFENDER E AMPLIAR ESTAS CONQUISTAS”

Neste dia 07 de Fevereiro, revivermos mais uma vez as memoráveis batalhas dos trabalhadores gráficos que além de reivindicarem melhorias de condições de trabalho, lutavam por algo mais importante que era o reconhecimento da UTG – União dos Trabalhadores Gráficos como entidade que legalmente representasse todos os Trabalhadores Gráficos, já que na época só os patrões é que detinham sua representação através da Associação Comercial.

A luta pelo reconhecimento de nossa entidade e a intransigência patronal obrigou os trabalhadores gráficos a usarem a greve como única alternativa e a mesma contou com enormes perseguições de repressão policial das empresas, com invasão do depósito e a total destruição dos alimentos que eram utilizados como fundo de greve e para a sobrevivência de nossos companheiros. Durante toda paralisação os trabalhadores enfrentaram todo tipo de perseguições e após a destruição dos alimentos se moveram de brio e criaram um slogan pela resistência que dizia: SE NECESSÁRIO COMEREMOS TERRA!

Esta greve durou oficialmente quarenta e dois dias, sendo que os gráficos não abriram mão, em momento algum, de suas reivindicações. Os industriais, ao concordarem com o “memorial” em sua totalidade, estariam, em última instância, reconhecendo que os trabalhadores têm o direito político de associação e de reunião. A partir da vitória do movimento grevista de 1923, o dia 7 de fevereiro é escolhido como o “Dia do Trabalhador Gráfico”. Nos anos subseqüentes essa data foi comemorada com comícios e reuniões na sede da U.T.G., e atualmente em nossas entidades, quando relembram os acontecimentos relativos à greve de 1923, com a ausência ao trabalho de toda a Categoria.

Mais tarde vieram outras lutas e conquistas do 13° Salário, a Aposentadoria Especial, etc. Tudo fruto da luta dos trabalhadores por suas reivindicações e, portanto, permanentes. Todo o exemplo que nos foi e é transmitido pelas gerações anteriores deve ser capitalizado. Hoje cultuamos os feitos dos companheiros de 1923, sem entretanto, olvidarmos os gráficos que lideraram a greve geral de 1929 e que foram recolhidos presos na Bastilha do Cambuci, sofrendo as agruras do cárcere, esse episódio faz parte também da nossa História.

A nossa história remonta ao século passado, apesar de já nessa época demonstrarem os gráficos o seu inconformismo com o desmando dos chefes e diretores da Casa Real, da Casa Imperial e da Imprensa Nacional. Entre os tipógrafos um existiu que marcou seu nome na História do Brasil, tal a fama obtida com seu trabalho: Machado de Assis. Para nós, a abordagem da citação dos primeiros gráficos não passa por quem exercia a atividade como diletantes e sim pelos que de fato trabalhavam profissionalmente como gráficos. Estes tinham, alem do conhecimento da arte que trouxeram de seus paises de origem, como Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, etc., a ideologia que serviu de semente para a organização dos trabalhadores na busca das conquistas operárias, iguais às existentes na Europa.

A luta pela organização dos trabalhadores sempre foi difícil, o que não é novidade. A surpresa será para quem acha que tudo o que temos hoje como garantias nos foi dado por mera concessão dos patrões ou Governo. Ledo engano, pelo menos para o caso dos gráficos. A busca da organização e unidade de nossa Categoria vem realmente do século dezenove, quando já existiam as Associações de Artes Gráficas, o Centro Tipográfico Paulistano, o Grêmio dos Linotypistas e Anexos de São Paulo e a União dos Trabalhadores Gráficos, sendo que esta foi tentada por diversas vezes.

Somos também herdeiros de uma das maiores tradições das lutas sindicais, desde os mártires de Chicago dentre eles estavam vários companheiros gráficos, pela luta da jornada de 08 horas que deu lugar ao 1º de Maio, tendo também como presença nos primeiros movimentos grevistas e as batalhas a partir de 1917, pela UTG, e culminando com a vitória de 07 de Fevereiro de 1923. Esta trajetória dos gráficos remonta também desde que Gutemberg que implantou o tipo de letra móvel e se estende até os dias de hoje com uma tecnologia que de um lado nos sacrifica em muito os nossos postos de trabalho, mas de outro nos cria novas oportunidades e nos oferece uma melhor condição técnica, associando a nossa experiência prática e criatividade adquirida no processo convencional das artes gráficas, ensejando com isto uma maior e melhor qualidade do trabalho.

A partir destas conquistas e conseqüências que as lutas se sucederam ao longo do tempo com prisões, mortes, intervenções em sindicatos e todos os enfrentamentos durante a ditadura militar. Desde a fundação da nossa Federação em 1973, nos coube dar continuidade a todo este trabalho sindical iniciado em conjunto com todos os sindicatos, um processo intenso de negociações para ampliação dos direitos de nossa Convenção Coletiva de Trabalho onde partimos de uma base de 14 cláusulas no ano de 1977 para as 88 existentes atualmente.

De lá para cá muitos conflitos se sucederam, mas por meio dessa representatividade se conseguiu criar mecanismos de negociações, principalmente com a fundação de vários Sindicatos Gráficos no Estado que hoje remonta a 18 entidades, que perdura até os dias de hoje que mantém nossa Convenção Coletiva de Trabalho como uma das melhores do Brasil. Sendo todas essas melhorias acima dos dispositivos legais e muitas outras sem disposição de obrigatoriedade legal, obrigatória, como reajustes salariais, pisos salariais, cesta-básica, participação nos lucros e resultados, entre muitos outros existentes em nossa Convenção Coletiva de Trabalho e com amplitude a toda a categoria indistintamente.

Por outro lado os dias de hoje nos coloca em um grande desafio, ou seja, lutar para a garantia, permanência e sobrevivência de nossa Confederação, Federações e Sindicatos e isto passa necessariamente com a manutenção do Processo de Negociação Coletiva e pelas negociações por meio de Acordos Coletivos acima e nunca abaixo de nossa Convenção Coletiva de Trabalho. Temos consciência que o mundo mudou e cada vez mais os sindicatos também terão que mudar e o temos que fazer com arrojo, determinação, e acima de tudo com ousadia, neste sentido o processo coletivo tem que ser a tônica de nossas ações, e os processos de fusões tem que serem exercitados, do ponto de vista da categoria, do ramo das categorias, dos meios de comunicações e dentro do processo da UNI as discussões com outros setores, como dos papéis, comerciários, bancários, telefônicos, eletricitários entre muitos outros.

Requer também de nossa parte vigilância constante quanto as tentativas de flexibilizar nossos direitos, como foi o caso da alteração do Art. 618 da CLT que colocaria o trabalhador num processo de negociação direta com o patrão sem nenhum poder de organização, principalmente com o atual quadro de desemprego e agora com essa proposta de reforma sindical que inevitavelmente terá reflexos e prejuízos aos trabalhadores. Na prática seria colocar a raposa tomando conta da parreira de uvas.

Mas, as perspectivas de lutas são enormes e as nossas responsabilidades aumentam cada vez mais para a garantia e a sustentação daquelas conquistas herdadas pelo processo de lutas de nossos antigos companheiros gráficos. Lutamos ainda contra todas as tentativas de descaracterização do nosso trabalho coletivo de negociação por meio das famosas fraudes de terceirizações, cooperativas de trabalho e do malfadado banco de horas.

Em 1993 iniciamos a nossa organização a nível nacional por meio da CONATIG – Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas. Paralelamente participamos da fundação da Federação Gráfica Latina Americana – FGL – que atualmente pelo processo de fusão chegamos a UNI – Gráficos Mundial e UNI Gráficos Américas. No cenário Internacional estamos inseridos ativamente nas discussões do Mercosul e dos entendimentos e discussões com os sindicatos europeus e nos processos de fusão da UNI, e estamos em busca de um processo discussão de acordos globais, no campo das multinacionais gráficas que a par de nos proporcionar trabalho nos mantém um custo social muito grande com jornadas e ritmos de trabalhos insustentáveis, e da total precariedade do processo produtivo e de uma falta de respeito as instituições e ações sindicais.

Estamos neste momento concluindo os entendimentos para a Unidade Gráfica e com a colaboração de nossa chefe do Setor Gráfico a nível Mundial, Adriana Rosenzvaig, e dos trabalhadores gráficos suecos estamos próximos de concretizar a Unidade Nacional dos Trabalhadores Gráficos. Portanto, relembrar nossa história nos coloca em alerta nos dias de hoje quando estamos na iminência de termos todas estas conquistas destruídas, por vaidades pessoais e por interesses econômicos quando neste momento deparamos com uma proposta de Reforma Sindical que a pretexto de modernizar as relações de capital e trabalho, colocará em risco os direitos dos trabalhadores conquistados durante estes longos anos de luta eficaz a mercê da ganância dos patrões, pois inevitavelmente terão reflexos imediatos na próxima etapa que é a Reforma Trabalhista.

A nossa responsabilidade e vigilância aumentam neste momento onde o governo Lula, apóia a Reforma Sindical da qual vai incluir a do Trabalho. Os gráficos vão exercer um papel central e tradições e estaremos na vanguarda de ações contrarias a toda e qualquer tentativa de mudanças que coloque em risco ou promova qualquer retirada de nossos direitos. Somos herdeiros de um passado de glórias e temos por obrigação e o faremos com o melhor de nossos esforços para manter tudo o que foi conquistado e o nosso trabalho será o de ampliar e não de reduzir os nossos direitos.

O mundo está aí para que esses “iluminados” dirigentes sindicais, defensores dessa Reforma Sindical possam avaliar e mostrar os exemplos práticos dos prejuízos dos trabalhadores com este tipo de política sindical, mas os mesmos não tem nenhum interesse, pois a perseguição da nossa atual estrutura é maior que o interesse real do trabalhador. Não temos medo de modernidade, não somos favoráveis a mudanças e qualquer tipo de discussão e muito menos defensores de “pseudos” dirigentes que vivem as custas de Contribuições compulsórias, mas a despeito disto não podemos aceitar regras inclusive que não reconhecem nossos sindicatos atuais como legítimos representantes dos gráficos, e na prática agem como os patrões em 1923, até porque o setor dos gráficos está dando o exemplo de democracia sindical, quando estamos concluindo um processo de Unidade Nacional com a participação das Federações Estaduais de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, da Federação Nacional dos Gráficos, dos gráficos do Estado do Paraná, dos gráficos do Estado do Pernambuco, representando as entidades do norte e nordeste, dos companheiros gráficos de São Luiz do Maranhão e do Estado de Rondônia, etc., onde estes companheiros a par de estarem filiados na CUT, Força Sindical, CGT, e de várias tendências políticas se compenetraram que os interesses dos trabalhadores estão acima dos interesses pessoais.

As perspectivas de luta mudam e apresentam alguns desafios. O operariado urbano não só precisa descobrir formas de pressão e de organização para vigiar os patrões e infelizmente alguns dirigentes sindicais que se intitulam os donos da verdade e fazer valer os seus direitos no interior dos locais de trabalho como também lutar pela conquista da autonomia e liberdade sindical e pela reapropriação de sua memória histórica, e isto pretendemos fazer de forma que nada e ninguém possam colocar em risco toda esta trajetória de vitórias.

Este é realmente um marco importante em nossa história, e nestes longos 82 anos de nossa existência podemos dizer com toda a tranqüilidade em nome de todos os nossos dirigentes que valeu a pena brigar pelos nossos direitos. Os gráficos estarão sempre na trincheira de luta, contra qualquer forma e tentativa que coloque em risco as nossas conquistas.

Viva a classe trabalhadora.
Viva o dia 7 de Fevereiro,
Dia Nacional dos Trabalhadores Gráficos.