GRÁFICA VINHEDENSE DESAFIA AUTORIDADE DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA E VOLTA A AMEAÇAR DIREITOS DOS EMPREGADOS

Meses após regularizar o armazenamento insalubre de alimentos dados a seus trabalhadores, como orientou a Vigilância Sanitária de Valinhos durante uma fiscalização no local à pedido do Sindicato dos Gráficos da região (Sindigráficos), a empresa Vinhedense voltou a fazer tal prática. Apesar de várias denúncias sobre o caso ao Sindicato, que já cobrou da gráfica uma solução, nenhuma resposta foi dada e o problema continua. Diante do fato e como ela é reincidente em tão pouco tempo, a entidade da classe espera sanções mais duras dessa vez por parte da autoridade sanitária da cidade, a qual foi acionada pelo sindicato para ir até o local.

“Estes alimentos, mal acondicionados como constados da última vez, ficando próximo de máquinas e de produtos químicos, são usados na  montagem da cesta básica mensal que são entregues aos gráficos, que por sua vez, levam para o consumo de sua família, inclusive crianças”, critica Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O órgão espera que a Vigilância Sanitária dê agora uma solução exemplar para a volta do problema nesta empresa que não se preocupa com isso, já que nem resposta dá. “Já passou mais de um mês que a notificamos e nada”, diz.

Ninguém está acima da lei. Esta premissa, no entanto, mostra-se  falsa a cada dia. Pois se vê o pobre sendo tratado diferente do rico todo dia. Na política, por exemplo, envolvidos em crimes e com provas não são condenados, enquanto o ex-presidente Lula, sem prova e prova falsa, já está preso a mais de um mês. Voltando à área dos direitos trabalhistas, o Sindigráficos espera que a empresa Vinhedense não esteja acima da lei. Embora, segundo as denúncias levadas ao sindicato, parece que ela acredita que esteja. A gráfica contraria até o tempo limite permitido para a entrada do gráfico ao local de trabalho quando chega pouco atraso.

As reclamações revelam que a Vinhedense não tolera nem mesmo um minuto de atraso, mandando o gráfico para casa e descontando no fim do mês o dia no seu salário. Porém, o artigo 58 da CLT (leis gerais do Trabalho) proíbe isso. Deve haver uma tolerância de cinco minutos de atraso. É o mesmo princípio usado para quando o gráfico chega cinco minutos mais cedo, sem que o patrão tenha que pagar adicionalmente.

O caso já foi levado pelo Sindigráficos para o Ministério do Trabalho. A empresa terá que se explicar sobre esta intolerância e ação contra a lei. A convenção de direitos da classe trata até da tolerância por um tempo maior que cinco minutos. Até quanto a Vinhedense agirá impunemente? O fato é que o Sindicato continuará atuando neste caso. A luta continua. Contudo, apenas a unidade e luta dos gráficos junto da entidade podem inverter esta cultura arbitrária desta empresa. “Mas, infelizmente, grande parte dos trabalhadores decidiu se opor no fortalecimento do sindicato. Seguiram a posição dada pela empresa em não fazerem a contribuição sindical. Esperamos que percebam o mal que fazem para si mesmos, fragilizando o Sindigráficos, enquanto fortalecem o patrão para retirar os seus próprios direitos”, diz Jurandir Franco. Gráficos, sindicalizem-se!