GRÁFICO CORRE RISCO DE PERDER DIREITO PREVIDENCIÁRIO POR PRESSÃO DE TEMER SOBRE INSS PARA TIRAR BENEFÍCIOS

Enquanto a lei previdência (Lei 8.213/1991) garante até um aumento de 25% no valor da aposentadoria por invalidez, e muitos trabalhadores nem sabem, o governo Temer e seus partidos aliados atuam reduzindo o direito previdenciário no Brasil, mesmo sem a retrógrada reforma da Previdência sequer ter sido posta para votação no Congresso Nacional. O governo resolveu que o INSS deve reduzir a prorrogação do auxílio-doença dos gráficos e dos demais profissionais. Com isso, até mesmo quem tem dificuldades em ficar muito tempo em pé ou movimentando-se, como o gráfico Sérgio de Freitas, da empresa Brasprint em Cajamar, afastado do trabalho pela INSS há seis anos após a amputação de parte de uma perna e com sérios problemas na outra, estão bem ameaçados.

“Eu sempre trabalhei desde muito jovem. Não sou vagabundo. Além dos 20 anos de serviço na gráfica Brasprint, empresa na qual tenho vínculo, passei mais seis anos como  gráfico na Araguaia. Antes, trabalhei na feira por muitos tempo – anos estes perdidos pois não eram registrados”, diz Sérgio de Freitas para Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato da classe na região (Sindigráficos). O dirigente foi visitar o gráfico na última terça-feira (5), acompanhado do tesoureiro da entidade, Jurandir Franco. Na ocasião, o gráfico fez questão de exaltar a atenção do órgão. Ele destacou que nunca ficou desamparado pela entidade da categoria.

Na visita em sua casa, o Sindicato inclusive descobriu que a Brasprint descumpriu a decisão judicial recente onde obrigou a empresa a pagar o FGTS e ainda as pendências da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Sérgio revelou que não recebeu nada de PLR até agora. Outro problema ainda maior tem sido a reabilitação que o INSS tem imposto para o trabalhador voltar ao trabalho, mesmo sem demonstrar quaisquer condições. “Não consigo ficar muito tempo em pé, sentado, deitado, ou em movimento, como posso voltar ao trabalho?”, teme bastante Freitas.

O Sindigráficos, por sua vez, foi até a casa do trabalhador que contribuiu por 26 anos para o INSS, antes de infelizmente entrar agora no auxílio-doença por questões de sérias limitações de sua saúde, prevista por lei. “Jamais aceitaremos, sem lutar juridicamente e em outra instâncias, que a Brasprint ou o INSS o exponha a situação ainda mais vulneráveis”, destacou Rodrigues e Franco durante esta visita. Sérgio reforçou a sua confiança no sindicato, não hesitando acionar o Jurídico da entidade se for necessário. O Sindicato aproveita para convocar todos os gráficos para reprovar na urna em outubro todos os políticos que apoiaram estas mudanças na legislação previdenciária, mesmo sem um reforma maior ter sido aprovada, mas que tem provocando grande aflição da categoria.