HOJE, DIA DO GRÁFICO, PARTE DA CLASSE MANTÊM DIREITO À FOLGA POR AÇÃO SINDICAL, MAS LEI DE TEMER PÕE EM RISCO EMPREGO E TODOS DIREITOS

Nesta quarta-feira (7), por hoje ser o Dia do Gráfico Brasileiro, é feriado para um terço dos gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e mais cidades circunvizinhas – única região do estado que a categoria tem esse direito conquistado pela ação sindical. O feriado é garantido aos trabalhadores através de Acordo Coletivo de Trabalho com cada empresa envolvida. E o Sindigráficos continua na luta para incluir o feriado a todos da região. Mas, após Temer na Presidência e sua nova lei trabalhista, apoiados por políticos do PMDB, DEM e PSDB, a exemplo do deputado federal da região, Miguel Haddad, toda classe já notou que essa e outras questões ficam mais difíceis a cada dia. E ocorre porque cresceu os ataques ao  emprego e direitos, se comparados ao Dia dos Gráficos ora já passados, apesar de mal começar o dia de hoje – data de celebração dos gráficos pela luta da classe quando há 95 anos iniciava no 7 de fevereiro a greve geral de quase dois meses que garantiu, pela 1ª vez no Brasil, direitos coletivos e a representação sindical aceita pelo setor patronal e governo.

“Com Temer e deputados aliados que aprovaram tal reforma trabalhista, válida desde novembro último, nosso Dia do Gráfico em 2018 se mostra muito diferente dos últimos 95 anos desta data, diante da precarização imposta ao trabalho atual – situação que a classe combateu com a greve do 7 de fevereiro (1923), quando à época reduziu a jornada de trabalho, melhorou condições laborais, estabeleceu parâmetros salariais”, conta  Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, exaltando esse legado.

Aos gráficos que ainda têm dúvidas sobre a atual precarização por conta dessa nova e atrasada lei de Temer e aliados, precisam saber que ela já permite até a volta de jornadas maiores; salários menores e desiguais entre a classe, abaixo do piso mínimo; retomada de precárias condições laborais e muito mais. Tais questões, que derrubam as conquistas do 7 de fevereiro de 1923, estão sendo feitas através de modalidades postas na lei com novos tipos de contrato de trabalho precário, cujo o gráfico só ganha pelo tempo que está produzindo, mesmo à disposição do patrão. Na região, isso já está ocorrendo, conforme denúncias nesta semana, a exemplo da LitoBand em Jundiaí”, fala Luis Carlos Laurindo, advogado do Sindigráficos, que estudo como atuará no caso em defesa da classe.

O mal patronal não para por aí. Não tem bastado se apoiar numa nova lei atrasada contra o direito, salário e emprego do gráfico, há empresas que agem de forma ilegal, fazendo contratos de trabalhadores como se eles fossem uma empresa, o que é proibido. “Denúncias revelam que a gráfica Hélius em Valinhos tem contratos dessa forma”, conta Jurandir Franco, diretor sindical. Queixas revelam até a ilegal prática da Oceano,  em Cajamar, que troca até a folga do domingo por um dia da semana.

“Com Temer e políticos aliados, o patronal acha que agora pode tudo, inclusive fazer coisas até piores que a própria nova lei injusta contra a classe trabalhadora. Embora a situação se mostre ruim, que ameaça até a  estrutura do Sindigráficos, a qual carece ainda mais da sindicalização e participação de todos na luta sindical, como eram os gráficos em 1923, a entidade sindical da classe continua constitucionalmente defendendo o gráfico individualmente e coletivamente”, realça com firmeza Rodrigues.

Portanto, neste 95º Dia do Gráfico, não há muito o que comemorar, mas a data se mostra, a partir da experiência do legado de luta da categoria em 1923, que exige de cada profissional da categoria (na atualidade) um dia de reflexão para buscar fazer depois algo coletivo urgentemente. “É preciso fazermos um levante contra todo esse ataque político-patronal, que passa pelo fortalecimento da representação da classe para manter a defesa dos direitos, através da sindicalização em massa, bem como é indispensável nas eleições de outubro o boicote aos partidos e políticos que apoiaram o golpe contra os direitos da classe trabalhadora”, finaliza.