JJ DEVE QUASE R$ 1 MI SEM PAGAR SALÁRIO E DIREITOS TRABALHISTAS. MPT DEFINE CALENDÁRIO DE PAGAMENTO

Em 20 de setembro, terminará o prazo dado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para que o Jornal de Jundiaí (JJ) mostre como pagará uma série de direitos e salários pendentes dos seus gráficos, jornalistas e profissionais do setor administrativo. O débito já chega a R$ 819 mil, sem contar a dívida com FGTS e INSS. Foi o procurador responsável pelo caso, Marcos Aurélio Estraiotto, que, há poucos dias, durante a 3ª audiência seguida em poucas semanas no órgão em Campinas, definiu a data para que o jornal envie uma proposta aos sindicatos das classes. A fim de evitar o aumento da dívida com novos atrasos salariais e o não pagamento, condição que vem se repetindo desde 2016, o procurador determinou ao JJ a apresentação imediata de um calendário especial de pagamento dos salários e adiantamentos quinzenais até o final do ano. O MPT já adiantou inclusive a legalidade de qualquer greve de ambas as classes se a empresa descumprir o calendário definido na audiência.

A programação excepcional de pagamento incluiu a partir do salário de julho, devendo este estar totalmente quitado até próxima terça-feira (15). A partir de agosto, a empresa terá de pagar o salário do mês até o dia 7 de cada mês subsequente e o vale quinzenal dentro do mês trabalhado. O procurador alertou ainda que em 2018 as datas de pagamento devem obedecer estritamente as datas definidas nas Convenção Coletivas de Trabalho das categorias. No caso do gráfico, o salário deve ser pago até o dia 5 de cada mês e o adiantamento quinzenal em 15 dias antes.

“O salário do trabalhador é inegociável”, frisou o procurador em resposta a uma proposta do jornal que tentava a fragmentação do salário”, lembra Jurandir Franco, diretor do Sindigráficos, presente na última audiência, acompanhado do também dirigente sindical dos gráficos, Valdir Ramos. Uma nova audiência no MPT pode ser marcada após 20 de setembro. Basta os sindicatos discordem da proposta do jornal a ser apresentada para pagar quase um milhão de reais em passivo com os funcionários.

Para o presidente do Sindigráficos, Leandro Rodrigues, que participou das audiências iniciais no MPT, é um absurdo o JJ deixar chegar a atual  situação. “Crise não pode ser sinônimo de irresponsabilidade do patrão contra seu trabalhador. O fato é que alguns barões dos jornais querem manter os seus padrões elevados, mesmo com crise, às custas dos direitos trabalhistas”, repudia o sindicalista.