PATRÕES REJEITAM TODO PLEITO DOS GRÁFICOS E DEIXAM EM SUSPENSÃO A DECISÃO SOBRE A CONTINUIDADE DOS DIREITOS

Nesta terça-feira (9), a poucos dias antes da data-base dos trabalhadores das indústrias gráficas, que é 1º de novembro, período em que a produção está aquecida, o sindicato patronal decidiu se reunir com o Sindigráficos, a Federação Paulista da classe e o conjunto dos sindicatos da categoria no estado. Apesar da proximidade da tradicional data para a renovação dos direitos convencionados, como a PLR, cesta básica e um piso salarial superior ao salário mínimo nacional, a incerteza continuou. O patronal não ameaçou nenhum direito, mas também não garantiu que os manterá caso a negociação se estenda para depois de outubro. Contudo, de antemão, já recusaram toda a pauta de reivindicação dos gráficos de todo o estado. E ainda marcaram uma nova rodada faltando sete dias para o fim do mês.  Neste sentido, o Sindigráficos convoca toda categoria para a unidade e para luta junto do sindicato para a defesa dos direitos. Assim, convoca todo trabalhador(a) para uma assembleia no dia 21, às 9h, na sede regional em Jundiaí. Na pauta, buscarão formas, como o aditamento da pauta de reivindicação atual, com o objetivo de garantir os direitos coletivos apesar da situação difícil e diante da instabilidade político-eleitoral em que passa o Brasil.  

Intermediários dos donos das gráficas ainda se mostraram incomodados com a tradicional data-base da categoria. Alegam que é muito próxima do final do ano, período em que têm custos extras com o pagamento do 13º salário e das férias coletivas em muitas empresas.  Assim, sem qualquer aceno de aceitação a avanço na pauta de reivindicação dos empregados, exigiram a mudança da tradicional data-base para perto do meio do ano. Logo, não garantiram nenhuma data-base que seja, senão pela mudança.

Com isso, e baseado na nova lei trabalhista de Temer, aprovada inclusive pelo presidenciável Bolsonaro enquanto deputado federal, estão em risco a continuidade dos atuais direitos coletivos que só valem até o fim do mês. O suspense continua porque, se abrigando no fim da ultratividade posto na nova lei, os patrões não disseram nada sobre se aceitarão manter tais direitos em caso da negociação se estender para depois de outubro, mês que sempre antecedeu a data-base histórica dos gráficos. A ultratividade garantia justamente a continuidade enquanto negociava, mas, Bolsonaro e um conjunto de deputados aliados a Michel Temer, acabou em 2017.

Todavia, o patronal atrelou uma possibilidade da continuidade dos direitos desde que haja mudança da data-base para período de menor produção, sem, no entanto, que haja qualquer nova cláusula para limitar os efeitos nocivos da nova lei trabalhista com seus contratos precários e muito mais. Uma nova reunião entre os sindicatos dos patrões e trabalhadores será realizada no dia 23 de outubro, a poucos dias das eleições presidenciais. O Sindigráficos sempre defenderá os direitos da classe, mas, para isso, já adianta os trabalhadores que será preciso que cada um tome partido em defesa de seus direitos. Assim, participe da campanha salarial e vote dia 28 contra o deputado que retirou seus direitos e anuncia mais ataque.