QUEDA DE PRÉDIO PRÓXIMO DA FEDERAÇÃO PAULISTA DOS GRÁFICOS MOSTRA DESCASO DE POLÍTICOS COM MORADIA


O incêndio seguido do desabamento do antigo prédio da Policia Federal, a 550 metros da sede da Federação Estadual dos Gráficos (Ftigesp), no centro de São Paulo, ocupado por famílias que não têm aonde morar, expõe o lado desumano das elites econômicas que controlam o Estado, bem como quais suas prioridades políticas quando assumem mandatos. E a Ftigesp garante que é possível fazer tal constatação ao observar o comportamento desses setores após tal tragédia que resultou em mortes. Enquanto o prefeito anterior buscava legalizar algumas das dezenas de prédios desocupados na região para serem utilizados como moradia dos sem teto com uma segurança mínima, atuais governantes dos setores endinheirados, como no caso de João Dória, prefeito eleito da cidade, que já deixou o cargo para concorrer ao governo do Estado, juntamente por seus aliados politicamente e midiáticos, preferem culpar as vítimas de morarem em condições precárias justamente pela falta de políticas.

 

“Ao invés de assumirem a responsabilidade com a garantia das pessoas ao direito constitucional à moradia, eles culparam as próprias vítimas de sua omissão legal de cuidar dessa política pública de habitação”, critica Leandro Rodrigues, secretário geral da Ftigesp. Além disso, o dirigente destaca que também criminalizam os movimento sociais que organizam justamente estas populações sem teto para que não durmam na rua, onde muitos estão desempregados e outras até têm empregos mas não recebem o suficiente para pagar um aluguel e alimentar a sua família.As declarações preconceituosas contra as populações em situação de rua e a campanha midiática para abalar a imagem de movimento social por habitação têm sido proclamadas desde quando ocorreu o acidente. “Mas, de forma efetiva, nem prefeito ou parte da mídia denunciam este absurdo desrespeito à lei no tocante ao direito das pessoas à moradia. Não ouvi meia culpa desses governantes e nem vi a mídia fazer matéria sobre a falta de política voltada à habitação da população carente. Falta mesmo é humanidade”, falou Leonardo Del Roy, presidente da Ftigesp.

O descompromisso também é do governo federal, que era o detentor do prédio junto com a Prefeitura de São Paulo. O cenário mostra de como são tratadas as pessoas de baixa renda por seus governantes atuais. “E hoje existem mais de 70 prédios nas mesmas condições sem que nenhuma providência tenha sido tomada para a solução dos problemas”, denuncia Del Roy. O dirigente cobra que algo seja feito para que novos acidentes e mortes não ocorram. É preciso que seja estabelecida uma ampla política habitacional para evitar o sofrimento deste já povo sofrido.

Infelizmente, após o golpe de Temer junto com os seus aliados políticos para tomar o comando do país, muitos dos políticos ligados ao partido de Dória e de Geraldo Alckmin, as populações sem moradia só crescem por conta da quase extinção do Programa Minha Casa, Minha, criado e ampliado nos governos Lula e Dilma, bem como pela falta de atenção aos pobres e a classe trabalhadora. “Em outubro, essa população deve banir esses políticos do seu voto, a começar não votando em Doria para governador do Estado, tampouco em qualquer outro para deputado ou para senador que estejam ligados ao PSDB e DEM”, orienta a Ftigesp.

FONTE: FTIGESP