SEM NADA NO BOLSO APÓS DEMISSÃO HÁ SEMANAS, DEMITIDOS DA ABRIL FARÃO PROTESTO NESTA SEXTA


#PAGACIVITA – 
Nesta sexta-feira (14), um mês após cerca de 500 gráficos, jornalistas e administrativos da editora Abril serem demitidos sem nada receberem e sem previsão, está programado um grande protesto na frente da empresa. Os trabalhadores e familiares já enfrentam dificuldades enquanto a Abril continua operando como se nada ocorrera. A decisão foi tomada na última semana durante uma reunião da comissão dos profissionais desligados e dos sindicatos das três categorias, na sede do Sindicato dos Jornalistas, que contou com a presença da Federação Paulista dos Gráficos (Ftigesp). A manifestação busca chamar atenção para tal absurdo ora resguardado por uma então recuperação judicial da Abril contra os direitos trabalhistas.

O gráfico da Abril e sindicalista, Daniel Golveia, membro da comissão, convoca todos os demitidos e os familiares para participarem do protesto, inclusive os 300 profissionais desligados antes dos 500 no último mês. Daniel, que é dirigente do Sindicato dos Gráficos da capital (STIG-SP), tem participado ativamente da comissão junto ao presidente da Ftigesp, Leonardo Del Roy, e outros sindicalistas das demais classes envolvidas. “Conclamamos a todos que participem desta manifestação. Será preciso pressão para revertermos esta injustiça contra o trabalhador. Há denúncia inclusive que a editora pretende reativar o 3º turno e contratar 50 gráficos com contratos de trabalho precários da nova lei trabalhista”, diz Del Roy.

Antes do protesto de sexta quando será entregue uma carta conjunta de todos os demitidos à empresa com a cobrança, intitulada PAGA CIVITA, será realizada já amanhã uma reunião da comissão com o responsável pela recuperação judicial da editora. O objetivo é tentar sensibilizá-lo a incluir nos cálculos dos créditos da recuperação (dívidas) uma multa para a empresa em favor de todos os demitidos no valor de um salário nominal.

A multa está em consonância com a lei trabalhista. E ocorre toda vez que as verbas rescisórias não são pagas no prazo legal, como ocorre no caso. Porém, em reunião com a empresa, ela se recusa a cumprir tal obrigação. Mas caso o administrador judicial não ache pertinente incluir, a comissão já decidiu que entrará com um processo coletivo para buscar esse direito. Os sindicatos estão buscando todas as formas para evitar a redução dos valores pertinentes aos direitos de cada trabalhador demitido. Eles temem que com a recuperação judicial, a Abril busque um deságio dos valores.

Em relação ao ajuizamento individual de ações, o advogado dos sindicatos dos gráficos e dos jornalistas, Raphael Maia, que está cuidado coletivamente do caso dos profissionais demitidos, alertou que não deve ser feita agora. Primeiro, ele destaca que não é necessário, pois já há a confirmação da divida trabalhista como credor na lista da recuperação judicial da Abril, inclusive dos 40% da multa do FGTS; segundo, havendo ação trabalhista individual pode prejudicar o andamento da recuperação judicial que corre na Justiça Cível, trazendo prejuízos para o conjunto de trabalhadores. O aviso do jurista foi dado durante a reunião da comissão na última semana.

A Ftigesp, STIG-SP e os sindicatos dos distribuidores e dos jornalistas conclamam a todos os demitidos e seus familiares a estarem presentes na porta da Abril nesta sexta-feira (14), a partir das 12h. “Mais que a cobrança para que a empresa cumpra com suas obrigações trabalhistas o mais breve possível, o protesto se dará diante do descaso e pela falta de compromisso da editora com os seus trabalhadores. Vamos lutar em busca desses objetivos”, convoca Del Roy. #PAGACIVITA!

FONTE: FTIGESP