STIG Jundiaí exercita o legado dos bravos gráficos do 7 de Fevereiro, diz Conatig

No dia em que o STIG Jundiaí, órgão que representa 6 mil trabalhadores gráficos em 29 cidades da região, completava 60 anos de fundação oficial, o Brasil registrava 374.898 contaminados e 23.473 mortes pela covid-19. Infelizmente, hoje, em apenas poucas semanas depois, quase quadruplicou o número de doentes (1,3 milhão) e logo mais triplica o de óbitos (57.658). O cenário também tem impactado a vida, emprego e a renda dos empregados, já que houve milhares de demissões e lei onde permitiu milhões de reduções de jornada e salário e a suspensão contratual temporária. Desde março, ao invés de fechar o sindicato, a entidade criou uma comissão para atuar nas empresas em defesa de medidas protetivas e preventivas de higiene e proteção individual, como também solicitação de licenças remuneradas e férias coletivas dos profissionais. Também atuou para reduzir o prejuízo de acordos das gráficas para restrição de jornada e suspensão contratual.

“O comprometimento do STIG Jundiaí é uma característica desta entidade há muito tempo, como a luta deles em várias campanhas salariais anuais e contra a reforma trabalhista e a previdenciária”, fala Leonardo Del Roy, presidente da Confederação Nacional dos Gráficos (Conatig). O dirigente fala com conhecimento de causa, afinal, sua origem sindical vem do STIG Jundiaí, órgão que ele foi um dos primeiros associados na década de 1960, ano em que o sindicato foi fundado em 25 de maio, dois anos após a primeira organização através Associação dos Trabalhadores Gráficos. Desde 1974, Del Roy faz parte da direção do sindicato, já foi presidente, depois vice-presidente e, desde a última década, é conselheiro.

O experiente dirigente e morador de Jundiaí garante que o STIG mantém o legado dos gráficos heróis do 7 de Fevereiro de 1923, época que fizeram a grande greve histórica na capital paulista de mais de um mês em várias gráficas simultâneas até a garantia de direitos coletivos e reconhecimento da representação sindical dos trabalhadores pela 1ª vez na história do Brasil (União dos Trabalhadores Gráficos), que depois se tornou o STIG-SP em 1935. Del Roy realça inclusive uma fase muito importante para o STIG Jundiaí a partir da chegada do atual presidente Leandro Rodrigues e a sua diretoria desde 2005, reposicionado a combatividade do sindicato.

Ao longo desses 60 anos, os quais Del Roy parabeniza os trabalhadores e sindicalistas que fazem a entidade, o dirigente realça a marca registrada do STIG Jundiaí que é a aproximação da base e aposta na sindicalização. Tal característica se tornou ainda mais vital a todo o movimento sindical depois da lei da reforma trabalhista que destruiu a contribuição sindical automática da categoria, prejudicando a estruturação de órgãos sindicais.

Para Leandro Rodrigues, os últimos cinco anos foram de retrocessos para a classe trabalhadora e organização sindical. A lista de políticas negativas é vasta: Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência, Congelamento de gastos públicos e a eleição de Bolsonaro, agravando os prejuízos não só na área trabalhista, mas também na saúde, meio ambiente, democracia, na liberdade de imprensa e muito mais. Ademais, o desemprego nunca foi tão grande e o dólar em relação ao real nunca esteve tão alto e o real nunca tão desvalorizado. “Bolsonaro nos mergulhou e o Brasil na maior crise econômica, sanitária e descredito perante as outras nações”, realça.

Apesar dos desafios, o STIG Jundiaí parabeniza os gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e 26 outras cidades pelos 60 anos de luta e resistência. Contudo, conclamamos a todos os trabalhadores a se sindicalizarem para defender está história de luta e continuar enfrentando os ataques encima dos direitos e conquistas. “Só chegamos até aqui porque lutamos e só continuaremos seguindo em frente, se dermos continuidade nesta luta!”, reafirma Leandro Rodrigues e Leonardo Del Roy.