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Os mártires de Chicago

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Há 126 anos, em maio 1886, os operários da cidade de Chicago (importante centro industrial dos Estados Unidos) se levantaram contra as péssimas condições de trabalho, exigindo a redução da jornada de trabalho, que naquela época a jornada de trabalho variava entre 13 e 16 horas.

Neste período a cidade estava imersa em grandes lutas, barricadas e greves. No dia 3 de maio daquele ano, durante o enfrentamento com a polícia, seis trabalhadores foram mortos, o que resultou num protesto furioso no dia seguinte, na confusão morreu um policial e outros 38 operários foram assassinados e 115 feridos, sendo decretado Estado de Sítio.

A repressão prendeu oito companheiros que eram lideranças do movimento, cinco foram condenados a forca: o anarquista Hessois Auguste Spies, diretor do diário dos trabalhadores (jornal “diário operário”),  os sindicalistas Adolph Fisher, George Engels, Albert R Parsons, Louis Lingg,  porém, um dia antes da execução, 11 de novembro de 1887, Louis Lingg, aparece morto na prisão. Na época, as autoridades declaram que o mesmo se suicidara.

Os presos, Michael Schwab, Oscar Neeb, Samuel Fielden são condenados à prisão perpétua. Entre os Mártires, dois eram gráficos, o tipógrafo e encadernador Michael Schwab, que fora condenado a prisão perpétua, e também tipógrafo e jornalista George Engel, que fora condenado a forca.

Inspiração

Da vida, da luta, e do sangue desses homens, não surgiu apenas o Dia do Trabalhador, surgiu também a coragem e a força na classe trabalhadora de todo o mundo, e pela participação neste momento histórico, a categoria gráfica também pode se orgulhar.

A luta dos Mártires de Chicago espalhou-se pelo mundo todo, os trabalhadores não aceitavam mais uma jornada de trabalho superior a 48 horas semanais. No Brasil, a jornada de trabalho de 48 horas só fora implantada na Constituição Federal de 1937.

A referida jornada de trabalho permaneceu por 51 anos e só fora reduzida depois da grande greve realizada pelos metalúrgicos do ABC, em 1985. Depois de vários dias de paralisação, a categoria conquistou a jornada de 44 horas semanais. No mesmo ano, os trabalhadores gráficos do estado de São Paulo, químicos de São Paulo e ABC, plásticos de São Paulo e Caieiras e metalúrgicos de São Paulo, que após realizarem a greve geral unificada, também, conquistaram a redução de jornada de trabalho para 44 horas semanais.

O 1º de maio representa antes de mais nada, um dia de luta, por melhores condições de trabalho, por melhores salários, pela dignidade do trabalhador, e principalmente, um marco na história da luta pela redução de jornada de trabalho. Neste sentido, há quase 30 anos se luta pela redução de trabalho para 40 horas semanais. Propomos aos trabalhadores que neste 1º de Maio a invés de participarem destas festas patrocinadas pelos patrões, passem com sua família fazendo uma reflexão do nosso papel nesta sociedade. Salve os Mártires de Chicago!!! Salve 1º de Maio dia do trabalhador!!!