TENSÃO MARCARÁ NEGOCIAÇÃO PATRONAL COM GRÁFICOS JÁ NA 1ª RODADA POR CONTA DO RISCO REAL DO FIM DE DIREITOS

Falta uma semana para chegar a data-base dos gráficos. Apesar disso, a classe continua sem definição do reajuste salarial. E ainda sem saber se serão renovados os direitos por mais um ano. E o risco é ainda maior frente a validade da reforma trabalhista no próximo dia 11. Tais cenários ameaçam a remuneração e direitos de todos da categoria, como  a PLR, cesta básica, adicional noturno, piso salarial, hora-extra e outros direitos contidos na Convenção Coletiva de Trabalho. Para evitar estes males, é preciso que o Sindicato patronal das gráficas paulistas (Sindigraf-SP) abra negociação da campanha salarial unificada dos gráficos no estado.

Após todo o silêncio mantido, nesta semana, cerca de 50 dias depois da assembleia dos gráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo, quando definiu a pauta de reivindicação, o Sindigraf agendou a abertura da negociação. Marcou para segunda-feira (30). O órgão patronal, que embora mostrou as suas razões, agendou a 1ª rodada faltando menos de duas semanas para reforma trabalhista entrar em vigor com o poder de destruir direitos coletivos da categoria, caso o Sindigraf rejeite a pauta de reivindicação dos trabalhadores. E ainda pior, agendou faltando apenas dois dias para a data-base dos gráficos – período quando vence a validade dos direitos convencionados da classe, se não for garantida a data-base de imediato

O sindicato patronal defende que é preciso ter calma para que, segundo seu entendimento, ninguém saia prejudicado frente os desafios da nova lei trabalhista. “É preciso, no entanto, a plena responsabilidade patronal nesta negociação, que já começa muito atrasada, de modo a garantir a regulamentação do mercado gráfico, sem a selvageria com a destruição maléfica dos direitos dos trabalhadores, e o acirramento correspondente da luta entre classes”, alerta Leandro Rodrigues, presidente do Sindicato dos Gráficos de Cajamar, Jundiaí e Região (Sindigráficos). Portanto, é preciso iniciar logo a negociação com a garantia imediata da data-base, como costuma acontecer nas campanhas salariais das últimas décadas.

O fato é que os trabalhadores gráficos precisam saber que todos seus direitos convencionados estão em risco de acabar já a partir da próxima quarta-feira (1º) se a data-base não foi reconhecida pelo patronal na 1ª rodada de negociação de segunda (30). E a categoria ainda deve saber que já no próximo dia 10, se o patronal não aceitar a reivindicação dos gráficos, a maioria dos direitos também acabará. Isso porque a nova lei permite contratos precários, fim da homologação da rescisão contratual no sindicato obreiro, o fim do pagamento da hora-extra e etc. Portanto, o gráfico precisa se mobilizar para a luta. O Sindigráficos inclusive começa  já esta semana a conversar com os trabalhadores na porta das gráficas.