TERCEIRIZAÇÃO E REFORMAS AMEAÇAM DIREITOS DO TRABALHADOR. MILHARES NAS RUAS A CADA ATAQUE

Uma significativa demonstração de insatisfação popular contra a reforma previdenciária que limitará o direito à aposentadoria foi dada por mais de um milhão de trabalhadores e populares em geral na quarta da última semana pelas ruas do Brasil. Dirigentes e gráficos vinculados ao Sindicato da classe (Sindigráficos) se somaram às manifestações e tomaram as ruas de Jundiaí no período da manhã e na Avenida Paulista à tarde e à noite daquele grande dia. A posição da categoria foi colocada para o público nestes protestos: não às reformas do Temer porque elas representam a retirada e a redução de vários direitos, inclusive do trabalhador ainda na ativa, como objetiva  a  reforma trabalhista. Esta ainda é pouco conhecida do povo, mas ela é tão ou mais noviça que a previdenciária. A reforma trabalhista permitirá a empresa negociar direitos abaixo da lei e ainda trocar os contratos de trabalho permanentes por temporários ou parcial. Dentre outras mazelas, permitirá também a terceirização total do trabalho ao invés do contrato direto nas empresas onde trabalham. Tudo isso limitará os direitos, as condições de trabalho e consequentemente o tempo de permanência do empregado em cada trabalho. Esta situação, portanto, trará graves problemas para o trabalhador enquanto estiver na ativa. E, infelizmente, afetará a sua condição de conseguir se aposentar. Poucos conseguirão completar o tempo mínimo necessário com essas várias modalidades de precariedades propostas pela reforma trabalhista.

Infelizmente, Temer e a maioria dos deputados federais, especialmente daqueles que apoiaram o impeachment de Dilma, estão cegos e surdos para as vozes das ruas contra as reformas previdenciária e trabalhista. Nesta quarta (22), a maioria dos deputados apoiadores do impeachment acabam de aprovar parte da reforma trabalhista referente a terceirização total do trabalho. O golpe avança agora contra os direitos trabalhistas. O ‘pato’ quem começará a pagar é o trabalhador. Porém, nem tudo está perdido. O mandato desses deputados (lista aqui) acabam em 2018, quando precisarão se reeleger. O trabalhador deve retirá-los do poder para que os novos políticos e outro presidente restabeleçam os direitos.

Contudo, um estrago grande já foi feito. Como o senador Pain (PT-RS) conseguiu na condição de relator modificar os ataques de um projeto de lei referente à terceirização do trabalho, Temer, agora, apoiou a Câmara Federal para resgatar outro projeto de lei da época do presidente FHC com o mesmo tema mas com ataques ainda maiores para a toda classe trabalhadora, inclusive os gráficos. E aprovou agora. Infelizmente, como o Senado já o havia aprovado ainda no tempo de FHC, o projeto foi para sanção do Temer. Depois disso, todos trabalhadores brasileiros poderão ser terceirizados e assim terem os seus direitos reduzidos e retirados. A população precisa agora voltar às ruas para que ele vete este projeto de lei porque só trará benefício aos patrões em detrimento ao trabalhador.

Além disso, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ) já tem pressa para votar logo o restante da reforma trabalhista e também a reforma previdenciária. Porém, diante da grande rejeição popular e dos vários setores da sociedade contra a mudança nas leis da Previdência, ele inverteu a prioridade e votará primeiro a reforma trabalhista já após a Semana Santa. Portanto, é preciso aumentar a pressão social. Só com milhares de trabalhadores nas ruas pode-se frear este golpe contra mais direitos do povo. De hoje até as eleições de 2018, é preciso ampliar os protestos enquanto estes políticos nos atacam no Congresso Nacional.

Os protestos são vitais. Na semana passada, por exemplo, quando mais de um milhão tomaram as ruas, a pressão dos trabalhadores foi tanta que Temer esta semana anunciou uma mudança em uma parte da sua reforma da Previdência. Ele recuou e retirou do referido projeto o ataque à aposentadoria dos servidores públicos estaduais e municipais.  Porém, o prejuízo continua para os servidores federais, trabalhadores rurais e da iniciativa privada, ou seja, a grande maioria da população brasileira.

“Se apertar, Temer e os políticos não aguentam a força do povo. Só o povo unido e marchando pelas ruas pode mudar este cenário de golpe aos direitos trabalhistas feito pela maioria dos políticos do Congresso Nacional, em destaque aos apoiadores do impeachment”, falou Valéria Simionatto, diretora do Sindigráficos, de cima de um trio elétrico para mais de 200 mil no protesto da Avenida Paulista na semana passada. A dirigente estava acompanhada de outros sindicalistas da entidade. Ela também alertou para os prejuízos com tais ataques sobretudo sobre as mulheres. A população já começou a perceber os prejuízos do governo Temer e passam a apoiar a reação popular pelo fim dessas reformas. Contudo, só as grandes manifestações poderão evitar tantos ataques.