TRABALHADORES DA JANDAIA REPUDIAM ATAQUE DOS DONOS DAS GRÁFICAS CONTRA OS DIREITOS DA CLASSE

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Os empresários do setor gráfico paulista decidiram atacar os direitos dos funcionários. A classe empresarial quer excluir benefícios conquistados já há muito tempo pelos trabalhadores através de lutas históricas. Eles querem acabar com o piso da categoria e pagar salário mínimo estadual e nacional para parcela da classe, bem como acabar com a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de todos os trabalhadores da categoria, além de reduzir o valor do adicional noturno, e outros itens. O patronato apresentou tais reivindicações aos representantes sindicais dos gráficos na primeira rodada de negociação salarial. Se não houver a reação dos funcionários nas empresas, com assembleias e paralisações, os patrões conseguirão reduzir seus custos em cima da miséria dos empregados. 

JAN0A reação já começou. Os trabalhadores da empresa Jandaia, na área de atuação do Sindicato de Jundiaí e Região (Sindigráficos), não querem perder dinheiro com o fim de direitos, como pedem os empresários. Já fizeram uma assembleia na última sexta-feira (23), com adesão total dos gráficos do 2º turno. Eles classificaram a proposta patronal como ataque aos direitos dos trabalhadores, e em nada têm a ver com a atual crise financeira. Os trabalhadores, portanto, desaprovaram a postura patronal. Os gráficos também se predispuseram a reagir com mais força em caso de insistência da proposta descabida dos empresários. E convidaram os empregados das outras empresas da região e do Estado para entrar na luta em prol dos direitos, bem como pela melhoria dos salários e direitos.

JAN5A assembleia dos gráficos da Jandaia foi organizada pelo Sindigráficos. “Isso é só o começo se os patrões não desistirem de tamanho absurdo e não começarem a negociar de fato o reajuste salarial dos funcionários”, diz Leandro Rodrigues, presidente do STIG. Por outro lado, o dirigente aproveitou para alertar aos trabalhadores que só pela aproximação com o sindicato que podem evitar prejuízos maiores. “Enquanto os gráficos se afastam do sindicato, o patrão sabe do seu maior poder para arrochar a vida do empregado”, pontuou Rodrigues, lembrando que é exatamente o que está ocorrendo nas empresas onde não há uma organização mais forte em torno do Sindicato.

A assembleia dos trabalhadores da Jandaia contou ainda com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Gráfica (STIG) de Taubaté e Região. E outras STIGs se somarão as atividades em defesa das justas negociais na região de Jundiaí, bem como noutras regiões do Estado, uma vez que a Campanha Salarial dos Gráficos será de forma unificada entre os sindicatos obreiros do segmento. Este será o 2º ano consecutivo que as negociações são feitas de forma coletiva, bem como serão as atividades junto aos trabalhadores nas empresas. “A luta dos gráficos da Jandaia, e dos trabalhadores da região de Jundiaí é também a nossa luta. Somos todos gráficos e o que dar para um dará para todos do Estado de SP”, garante Sandro Ramos, diretor do STIG Taubaté. O resultado da negociação com patrão terá efeito para todos os gráficos. Ramos parabenizou a posição dos gráficas da Jandaia em rechaçar a proposta de retirada de direitos dos empresários, pois isso está fora da realidade. “Isso é um absurdo e vamos brigar pelos nossos direitos”, diz.

Propostas dos empresários 

graficaNa semana passada, começou efetivamente as negociações salariais do setor gráfico com os patrões. Foi realizada a primeira rodada na capital paulista. Diante da alta inflação dos últimos 12 meses, os trabalhadores reivindicam um reajuste salarial de 13% e o mesmo índice para o PLR. Os patrões, por sua vez, querem parcelar a recomposição salarial e acabar com o PLR. Os empresários ainda querem reduzir de 35% para 20% o valor do adicional noturno. Também reivindicam o fim do piso da categoria (R$ 1.280,40) para os funcionários do setor de manuais, para pagar somente o piso mínimo paulista (R$ 905). Ainda desejam reduzir o salário do menor aprendiz para o salário mínimo nacional (R$ 780). Reivindicam também o fim do adicional de 15 dias no aviso prévio da categoria, conquista histórica da categoria, bem como reduzir o valor do teto salarial da classe, que hoje é de R$ 10.431, para R$ 6.320, além de mudar a data do pagamento salarial do dia 5 para o 5º dia útil do mês.

Consequências nos gráficos  

JAN7“A proposta dos patrões na vida dos trabalhadores, se aprovada, terá uma drástica consequência, pois a retirada de direitos implica em menor dinheiro no bolso do trabalhador”, diz revoltado Sandro Ramos, diretor do STIG Taubaté, que estava presente na assembleia dos gráficos da empresa Jandaia na última sexta (23). Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos, também estava presente e fez questão de ressaltar as terríveis consequências se os trabalhadores não reagirem a tal atentado. O dirigente lembrou do prejuízo com a retirada do PLR, como exigem os patrões. Sem o PLR, o gráfico da Jandaia deixa de receber R$ 935. Tal dinheiro a menos fará muita falta, sobretudo no final do ano, quando é usado na compra de roupa à família, ou usada na compra de alimentos.

Entenda onde será o prejuízo

JAN6O fim da PLR, que reduz quase R$ 1 mil no bolso do trabalhador, como deseja o patrão, é apenas uma consequência dura para o gráfico. Mas existem outros prejuízos práticos com a proposta dos empresários para  retirada de direitos dos trabalhadores. Mudar o piso salarial da categoria dos gráficos de manuais para o valor atrelado ao salário mínimo paulista é uma delas. Isso vai reduzir quase R$ 400 mensal desses gráficos. Isso porque o piso da categoria é de R$ 1.280,40 e o mínimo paulista é R$ 905. Os patrões querem também reduzir o salário mensal do menor aprendiz. Além disso, desejam mudar o adicional noturno de 35% para 20% da hora normal. Com isso, em média, reduzirá R$ 200 por mês no salário dos gráficos que recebem o piso da categoria e trabalha à noite. O valor é ainda maior para quem recebe acima do piso.

JAN4Os patrões querem reduzir também o salário dos chefes e impressores com salários acima de R$ 6,3 mil. A proposta dos empresários é que ninguém ganhe mais de R$ 6.320. Hoje o teto é de R$ 10.431. Se isso acontecer, haverá uma redução por mês no salário do trabalhador de até cerca de R$ 4 mil. “Do chefe ao menor aprendiz, não há diferença para o segmento patronal, já que visam retirar direitos e muito dinheiro do bolso de todos. É hora de todos reagirem. Depois será tarde demais”, convoca todos à luta Rodrigues.

Os empresários também reivindicam mudar a data-base da categoria, mudar o dia de pagamento do salário mensal e retirar o adicional de 15 dias do aviso prévio do trabalhador gráfico. A data-base é em outubro, mas querem mudar para abril. A alteração parece bobagem, mas não é. Em abril, a indústria gráfica está desaquecida, logo os gráficos estão mais necessitados de trabalho, ficando mais vulneráveis para negociar melhorias de direitos e salário. Em outubro, a produção está alta, o que faz com que os empresários precisam mais segurar os empregados e aceitar tais reivindicações de melhorias trabalhistas. Em relação a data de pagamento do salário, hoje é feita no dia 5 de cada mês. Os patrões querem mudar para o 5º dia útil. Tal alteração fará com que os gráficos levem mais tempo para receber o salário. E o patronal também quer tirar 15 dias do aviso prévio dos funcionários quando são demitidos. “Isso é o mesmo que tirar R$ 640 do bolso do trabalhador”, conta Rodrigues.