TRABALHADORES GRÁFICOS DOS JORNAIS DE INTERIOR DO ESTADO REJEITAM GOLPE AOS SEUS DIREITOS E SALÁRIOS

A reforma trabalhista passou a valer no sábado (11), mas antes disso o desejo patronal por retirada e redução de direito e salário do gráfico vem acontecendo. Um exemplo ocorre nos jornais do interior de São Paulo. Os profissionais gráficos dessas tradicionais empresas de Comunicação ainda não tiveram seus salários reajustados. Estão há quase 14 meses sem aumento, quando deveria ter sido feito desde 1º de outubro, mês da data-base de referência anual do reajuste. O sindicato patronal defende absurdamente que só haja aumento em outubro do próximo ano. E para renovar os direitos coletivos da classe, exige que seja excluído alguns deles, como aviso prévio especial, e reduzido o valor da multa por atraso salarial e ainda ampliado o prazo de tolerância antes da sua aplicação.

Além disso, o sindicato patronal optou este ano, sem explicar as razões, não reunir-se presencialmente para tratar da pauta de reivindicação dos trabalhadores com a Federação paulista da classe (Ftigesp) e todos os sindicatos da categoria (STIGs) envolvidos nesta campanha salarial. Um dos STIGs, por exemplo é o da Baixada Santista, que cansou de tolerar a postura intransigente do patronal. O STIG Santos inclusive realizou uma assembleia há poucos dias com todos os gráficos do A Tribuna, que é um dos principais e mais sólidos jornais do interior na atualidade. Os trabalhadores rechaçaram a pauta de retrocesso patronal e exigiram o reajuste salarial de 3%. A pertinente inflação anual do período foi 1,62%.

Na assembleia, que o STIG aproveitou ainda para lançar a Campanha Novembro Azul da entidade, para a conscientização dos trabalhadores sobre o risco do câncer de próstata, foi tomada a decisão da classe de levar para a direção do A Tribuna o descontentamento dos funcionários gráficos com o atual descaso e ataque da direção do sindicato patronal.

A postura dos gráficos do jornal A Tribuna de Santos fortalece a luta da categoria em todos os jornais do interior, muitos deles inclusive atrasa o salário dos trabalhadores. “A decisão da assembleia está em sintonia com a contraproposta da Ftigesp, que coordena essa negociação dos STIGs com o sindicato patronal”, conta Jorge Caetano, presidente do STIG Santos e vice-presidente da Ftigesp. A federação enviou para o patronal uma nova pauta onde até aceita reduzir a pleito de reajuste dos salários de 4% para 3%, mas rejeita toda retirada e redução de direitos.

Dentre os direitos convencionados ora ainda atacados pelo patronal, já que ainda não respondeu a pauta da Ftigesp, está o aviso prévio de 45 dias para o gráfico, 15 dias a mais que as demais classes profissionais. “A convenção garante esse direito para quem tem a partir de cinco anos de serviço no jornal, ou, independente do tempo, que já tenha 45 anos de idade. O patrão também quer reduzir a multa por atraso salarial. Hoje é de 1/60 do piso salarial, mas querem baixar para 1/90. Exigem ainda, dentre os golpes, que a multa só seja aplicada a partir do 20º dia de atraso”, conta Leonardo Del Roy, presidente da Ftigesp, rejeitando tal absurdo.

FONTE: FTIGESP