GRÁFICOS JÁ SENTEM EFEITOS DA MUDANÇA DO CLIMA NO LOCAL DE TRABALHO COM AUMENTO EXCESSIVO DO CALOR

CALORCALOR

Antes fosse só uma questão de filme de ficção científica, mas os efeitos do aquecimento global associado às mudanças climáticas já são reais. Além dos atuais e inéditos períodos de seca, que fez São Paulo passar por sérios problemas hídricos, cenário muito comum no NE do país, a elevação da temperatura também tem sido bastante sentida no Estado. O calor tem batido vários recordes no mundo nesta década, inclusive no Brasil, conforme aponta a Organização Mundial de Meteorologia. Assim, os impactos da alteração do clima chegou até na vida dos gráficos. As altas temperaturas dentro das galpões de produção já tem sido uma das principais queixas da categoria a seu órgão de classe (Sindigráficos). Se nada for feito pelas empresas no sentido de criar formas para diminuir o calor, os empregados vão adoecer. Antes disso, o desconforto gerado pela questão, afetará consequentemente a produtividade do funcionário e a produção da gráfica. Se nada for feito pela empresa frente o cenário, o Sindigráficos já estuda recorrer ao Poder Judiciário para garantir aos trabalhadores o adicional de insalubridade, visto que o calor excessivo é um dos agentes físicos característico à concessão de tal benefício.

CALOR1“Investir em métodos para baixar as altas temperaturas na produção é o melhor para a saúde dos trabalhadores e mais barato para as empresas, já que se não for feito para arrefecer o calor frente à mudança do clima no local de trabalho, as empresas terão um custo ainda maior, pois terão de pagar adicional de insalubridade, conforme reivindicaremos via ação judicial”, antecipa o presidente do Sindigráficos, Leandro Rodrigues. O dirigente ressalta que não investir na redução do calor nas empresas trará prejuízo aos empresários ainda em função do desconforto e o mal estar causado pelas altas temperaturas, que, por sua vez, vão contribuir  para a fadiga do funcionário e assim a baixa produtividade do gráfico.

O calor veio para ficar em função do aquecimento global e da mudança do clima, que tem elevado a temperatura do planeta, e é preciso ir se adaptando a esta questão. “O caso é sério e espero que os empresários se sensibilizem com a situação”, diz Jurandir Franco, diretor sindical. Ele conta que o Sindigráficos já começou o mapeamento de onde chegam mais denúncias sobre o problema e buscará tratar direto nas empresas. O calor foi inclusive um dos motivos que gerou grande insatisfação dos gráficos da empresa Log&Print há duas semanas, o que provocou uma greve dos trabalhadores, já que a empresa não havia resolvido o caso.

log3Noutras empresas já há diversas reclamações por conta do calor, como na Redoma, D’arthy, Litoband e Cunha Facchini. “Vamos pedir a estas empresas para adequar à temperatura de suas produções frente à mudança do clima”, conta Rodrigues. A depender das temperaturas, a empresa é obrigada a pagar adicional de insalubridade ao funcionário. Assim, o dirigente fala que ou a gráfica cria formas para baixar o calor, ou paga o adicional. O Sindigráficos antecipa que vai começar a fazer inspeções técnicas para contrapor os laudos das empresas, em caso de necessidade diante da permanência das altas temperaturas, a fim de garantir a insalubridade.

Embora o calor e a estiagem seja mais sentida atualmente, este debate sobre a melhora da temperatura dentro das gráficas já tem sido tratada pelo Sindigráficos há pelo menos uns três anos. “Essa discussão iniciou na empresa Emepe, seguida depois na Jandaia”, lembra Valdir Ramos, diretor do Sindigráficos. O dirigente conta que as empresas instalaram climatizadores nas instalações internas; na Jandaia o telhado também recebeu uma pintura especial para absorver parte do calor. A Log&Print, depois da recente greve dos trabalhadores, onde a alta temperatura foi um dos motivos para a ação paredista, fez com que a empresa anunciasse a instalação imediata de climatizadores, enquanto desenvolve e executa um forma definitiva para a resolução do problema do calor excessivo.