USO DE SOLVENTE COM FALHA EM EPIs E EXAUSTOR PODE TER EXPOSTO SAÚDE DE GRÁFICOS DE MULTINACIONAL EM ATIBAIA

Desde o fim de 2017, após queixas de profissionais da gráfica estrangeira Nova Print ao sindicato sobre o forte odor de solventes dentro da empresa, a entidade sindical luta para resolver tais denúncias. O problema é que a empresa se limitou a negar a existência do problema. Os gráficos do local também não se envolveram nesta luta, apesar do chamamento do órgão da classe. Houve até protesto de sindicalistas na frente da empresa. E, agora, passados esse tempo, o sindicato provou que havia problemas sim, mesmo após o fim do Ministério do Trabalho por decisão de Bolsonaro – órgão que tinha o poder de fazer a fiscalização nas condições de saúde e segurança dentro da multinacional. O sindicato, por sua vez, buscou apoio da Vigilância Sanitária do município, provando vários problemas no local.

Não se sabe agora se o problema era desde 2017, conforme apontavam as denúncias, e se voltará a acontecer caso a multinacional descumpra a notificação da Vigilância Sanitária de Atibaia. O órgão constatou o uso de solventes com forte odor, vários produtos indicados no PPRA da gráfica. Mas identificou realmente o odor até na área do depósito da empresa. Na ocasião, o responsável alegou problema no exaustor. “Desde quando isso acontecia? Será que desde a primeira denúncia dos trabalhadores? Isso não se sabe. Mas o órgão sanitário mandou corrigir, sendo assim feito”, pergunta aos gráficos o presidente do Sindigráficos, Leandro Rodrigues.

“Só não se sabe se assim vai permanecer. Vai depender da participação dos gráficos junto do sindicato. Afinal, se não agirem, os funcionários que terão a saúde prejudicada e sem receberem o adicional de insalubridade. O fato é que tivemos agora uma vitória e mostramos que existia sim um problema, diferente do que dizia a multinacional e sem qualquer reação dos trabalhadores. Uma falha não, havia várias. O órgão sanitário também indicou problema ligado a Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)”, fala Jurandir Franco, diretor do Sindicato que atua no caso desde o início.

Dentre os problemas relacionados aos EPIs, havia o uso até de mascaras incapazes de bloquear o odor do produto químico usado e acondicionado na empresa, bem como trabalhadores sem a utilização adequada delas. A empresa garantiu para a Vigilância Sanitária que tudo foi devidamente corrigido desde o final de março. O Sindigráficos agradece a atuação do órgão sanitário na multinacional em proteção à saúde dos trabalhadores.

A entidade sindical, por sua vez, gostaria de saber dos próprios gráficos se tudo está normalizado realmente, bem como se coloca à disposição de cada um deles para reunião (em horário e local desejado) para avaliação coletiva sobre a eficácia ou não dessa fiscalização na multinacional, como também as futuras ações para a saúde e segurança dos gráficos no local.