UTI E HOSPITAL INFANTIL INAUGURADOS APÓS ANOS DE PRESSÃO POPULAR DE MOVIMENTOS SOCIAIS E GRÁFICOS

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Os gráficos com seus familiares e toda população de Cajamar, cerca de 72 mil pessoas, agora podem contar novamente com a UTI do Hospital Regional do município, bem como com um ambulatório infantil com o atendimento 24 horas. O hospital ainda foi todo reformado e possui mais duas novas ambulâncias. A ação resulta da pressão popular, que, desde o ano de 2008, após a morte do irmão do presidente da Associação dos Moradores de Jordanesia (distrito da cidade), frente à desativação da UTI e da falta de ambulâncias no hospital, criaram um Movimento pela Saúde Pública na cidade. Diante de um Conselho Municipal de Saúde inoperante, a iniciativa popular, que contou com o Sindicato dos Gráficos  (Sindigráficos) e mais sindicatos, partidos políticos (PT e PCdoB), OAB, cidadãos e associações de moradores, inclusive a do Polvilho, presidida à época pelo atual vereador Raimundo Nonato (PT), foi responsável por realizar dezenas de manifestações pelas ruas, reuniões, plenárias, abaixo-assinados e intervenções junto aos órgãos públicos para garantir o funcionamento adequado da unidade, que estava sendo administrado por empresa privada, com repasses da União sem prestação de contas.

caja2“Agora temos de volta a tão sonhada UTI, com cinco leitos, sendo três intensivos e dois semi, além do ambulatório infantil com atendimento 24 horas”, diz realizado o então presidente da Associação dos Moradores do Povilho (distrito de Cajamar), Raimundo Nonato, relembrando toda a imensa luta, desde 2010 com a criação do movimento, com protestos nas ruas e abaixo-assinados numa grande movimentação em defesa da saúde pública no município.

O sindicalista gráfico, Marcelo Sousa, outro ator social que se dedicou bastante na questão, relembra inclusive das várias reunião realizadas na sub-sede do Sindigráficos em Cajamar. Os encontros ocorriam de 20 em 20 dias na sub-sede e em outros lugares. Ele recorda das inúmeras ações nas gráficas da cidade para coletar assinaturas, pedindo a volta da UTI no hospital, bem como um atendimento decente, como também a   transparência nas contas públicas da unidade (gerida pela empresa MultMed Assistência Odontológica), e sobretudo a saída da MultiMed da gestão do hospital, que sobrevive com os recursos do governo federal.

caja3Sousa conta que quatro mil assinaturas foram coletadas. Os gráficos foram fundamentais nesta conquista. “Os trabalhadores da Nova Página, Oceano, Redoma, D’arth, Editora 3 (hoje fechada), Brasprint, Betteres, Cajagraf (extinta) e outras assinaram o nosso abaixo assinado”, recorda. Ele lembra inclusive das várias denúncias e problemas que ocorriam no hospital da cidade, administrado pela MultiMed, como, por exemplo, até reportagens da época que mostraram médicos que não tinham registro.

LUTA PELO SAUDE DE CAJAMAR (4)“A MultiMed não está mais administrando o hospital. A saída se deu por conta da pressão do então movimento popular”, ressalta Nonato. Ele diz inclusive que, com a saída, foi possível restabelecer um atendimento de certa qualidade, bem como realizar uma reforma na unidade, tornando o ambiente mais acolhedor e o atendimento humanizado. Houve ainda a ampliação do Laboratório de Análises Clínicas, que facilitará e agilizará a realização de mais exames. Já a nova UTI conta com 21 profissionais contratados, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Em anos anteriores, o movimento também conseguiu duas ambulâncias.

luisinho“A iniciativa, organização e forte pressão deste movimento autônomo da sociedade em Cajamar, que contou com a estrutura do Sindigráficos e a participação dos sindicalistas, engrossando as fileiras desta luta, diante da fragilidade de atuação do então Conselho Municipal da Saúde (que pouco atuou nesta questão), é o responsável pela conquista de hoje em defesa da saúde pública dos gráficos e toda a população de Cajamar e  cidades do entorno”, conta o advogado do Sindigráficos, Luis Carlos Laurindo, que foi um ator que atuou neste movimento no âmbito jurídico.

finamoreA Luta Continua

“Apesar das conquistas atuais, ainda há muito que ser feito, sobretudo quando estamos falando de saúde e da vida das pessoas que precisam deste atendimento hospitalar”, destaca Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. O dirigente ressalta que o trabalho precisa continuar, principalmente diante da grande carência de leitos e médicos de várias especialidades no hospital da cidade para atender a todos, sobretudo os trabalhadores e os mais pobres. A luta precisa continuar e os gestores públicos devem atender a demanda da população. Assim, o movimento popular e sindical não podem parar a luta em defesa da saúde pública.