GRUPO BOMIX DIFICULTA DIREITOS E SINDICATO TERÁ DE ACIONAR A JUSTIÇA PARA GARANTIR COMIDA DO GRÁFICO SE NEGATIVA SEGUIR

Apesar do acerto do Sindigráficos com a Rami para renovação de um acordo de jornada de trabalho, mantendo o feriado do Dia do Gráfico e melhorias no serviço aos sábados, a gráfica não está permitindo a realização da assembleia dentro da empresa para a aprovação do acordo pelos gráficos. A empresa em Jundiaí, que passou a ser gerida pelo Grupo Bomix, tem dificultado até a alimentação do trabalhador. Não distribui este direito em alimento, nem quer reajustar o vale para R$ 160 – valor necessário para a compra da cesta básica posta pela Convenção Coletiva da classe. Estes são apenas dois de vários impasses mantidos pelo grupo econômico baiano, apesar da busca de resolução por parte do sindicato há meses, restando à entidade medidas mais duras se a situação continuar.

A empresa tem 130 trabalhadores e uma boa quantidade de associados. Portanto, aos sócios, o Sindigráficos disponibiliza o advogado da entidade para qualquer busca por direitos pela via judicial, inclusive se o reajuste salarial não ocorrer na totalidade. Há queixas de pagamento proporcional, o que é proibido pela convenção da categoria. Também têm denúncias de folgas não concedidas para os empregados do administrativo e do pessoal do 3° turno, em função do trabalho normal na semana em que o sábado foi feriado do 1° de Maio, o que também contraria a convenção. O gráfico não-sócio também pode buscar o advogado depois de se sindicalizar.

“Somente não será preciso ir até a Justiça agora ou depois, se empresa, esta que tem o controle da folha salarial, avaliar se pagou o salário errado e corrigir tudo com base na convenção. O mesmo deve ser feito quanto à folga pendente. É só garantir a regra convencional. Do contrário, estamos às ordens do nosso associado para, quando o mesmo julgar pertinente, acionarmos a Rami caso por caso”, diz Leandro Rodrigues, presidente do Sindigráficos. 

No próximo mês, por sinal, se a Rami não reajustar o vale-alimentação de R$ 100 para R$ 160, o caso vai parar nos tribunais. O Sindigráficos deve ajuizar uma ação de cumprimento da convenção pelo direito da categoria de ter uma cesta básica de alimento ou em valor suficiente para comprá-la em supermercados da região. Até agora a empresa só quer dar R$ 115.

A Bomix dificulta até para os gráficos aprovarem a renovação de acordo de jornada de trabalho em que o grupo econômico apalavrou em reunião com o sindicato há meses. “Só nos resta a opção de fazer a assembleia e votação do acordo com a categoria na frente da fábrica. Mas há risco de acidente de trânsito devido a via ser movimentada. Por que a Bomix não nos deixa fazer dentro da empresa, como sempre ocorreu antes de sua chegada e sem perigos para a vida e nenhum problema para a produção”, questiona Leandro. O fato é que o acordo venceu desde meados do ano e a assembleia terá de ocorrer. O sindicato não assina nada sem o aval democrático dos trabalhadores.