No último domingo (21), o Sindigráficos recebeu os trabalhadores que deliberaram sobre a pauta de reivindicação para a campanha salarial 2026/2027. A data-base de referência da categoria é 1º de setembro. Além da recomposição das perdas salariais diante da inflação acumulada de setembro do ano passado até agosto deste ano, os gráficos querem dos patrões um reajuste com pelo menos 3% de ganho real, ou seja, com tal percentual acima da inflação. E reivindicaram pleitos voltados à manutenção e melhorias dos 86 direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), inclusive o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40h. Gráfico: seja forte, seja sócio. Sindicalize-se!
O próximo passo é a entrega da pauta de reivindicação ao patronal junto com os outros sindicatos dos gráficos do estado, liderados pela Federação Paulista da categoria (Ftigesp), presidida por Leandro Rodrigues, dirigente que também preside o Sindigráficos de Cajamar, Jundiaí, Vinhedo e demais cidades da região.
A campanha salarial será marcada pela luta unificada da maioria dos gráficos paulistas em busca da manutenção dos 86 direitos da CCT já existentes e válidos até o final de agosto/26. Mas também por avanços, com destaque para a inclusão do fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 40 horas semanal.
O setor gráfico está maduro para o fim da escala 6×1, inclusive tecnologicamente. Não faz sentido continuar esperando o Senado votar essa matéria. A Câmara dos Deputados já a aprovou e o Governo Lula é o maior dos defensores da redução da jornada. Não tem mais o que esperar nas indústrias gráficas. Agora é negociar e estipular as regras para estabelecer a garantia do trabalho com qualidade de vida.
A categoria também busca melhorias de cláusulas já existentes na CCT, a exemplo do adicional noturno, mas não referente ao seu valor. Reivindicam dos patrões que seja estendida a sua aplicação até a hora em que se pare de trabalhar efetivamente, e não mais apenas até as 5h, como está definido pela CLT.
Outra reivindicação é para que o reajuste da PLR seja igualmente ao que será aplicado sobre o salário no final da campanha salarial, não mais inferior. E ainda que o desconto salarial ora permitido pela entrega da cesta básica seja de no máximo a 5% e não 20%.
Além disso, a categoria quer que o gráfico afastado pelo INSS continue recebendo o seu complemento salarial por mais 90 dias, além dos já 90 dias ora definidos pela CCT, totalizando 180 dias.
A aplicação da nova lei (15377/26) sobre o direito dos gráficos a se ausentar do trabalho é mais outra reivindicação. Para isso é preciso que as empresas garantam três dias de ausência legal por ano para a realização de exames preventivos sobre o câncer de mama e outras doenças. Ainda lutarão para que possam ser liderados para acompanhar os filhos de até 18 anos no médico, e não só os de até 15 anos.
Durante a assembleia, os gráficos ainda aprovaram burocracias para a realização da campanha salarial a partir da liderança e do fortalecimento sindical. Foi autorizado para que o Sindigráficos negocie com o patronal pelos trabalhadores; o direito de greve; cota assistencial (a mesma de 2025 – 12% em seis vezes a partir de janeiro de 2027); o direito de oposição que vai até 1º de junho, escrita pelo gráfico em duas vias de próprio punho, no Sindigráficos, das 8h30 às 11h30. e das 13h30 às 16h30; e a manutenção da assembleia permanente (o que permitiu com que o sindicato possa convocar outras assembleias enquanto durar a campanha).
A Ftigesp e o Sindigráficos avaliam que a pauta de reivindicação dos trabalhadores é enxuta, justa e é possível da classe patronal atender. Basta ter boa-vontade, porque busca a manutenção da CCT e a recomposição salarial inicialmente. E uma certa participação no crescimento das empresas através da concessão do ganho real no salário e melhorias de direitos. Gráfico: seja forte, seja sócio. Sindicalize-se!


